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PATRIMÓNIO CULTURAL


               O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, marcou presença
               no lançamento da obra Do Sonho à Realidade e falou da importância de fazer
               regressar a tradicional Feira do Livro à cidade

               JORGE CRUZ REVISITA A HISTÓRIA

               DA FEIRA DO LIVRO DE BRAGA


               ATRAVÉS DO REGISTO DE MEMÓRIAS


               Texto e fotos: Marta Amaral Caldeira/Livraria Centésima Página








































               O             jornalista  Jorge  Cruz  acaba  de  lançar  Do  Sonho  à   mória não se destina apenas aos que viveram o evento, mas também “aos


                             Realidade,  uma  obra  que  recupera  a  memória  da
                                                                       vindouros”, enquanto testemunho de um acontecimento cultural ímpar.
                             Feira do Livro de Braga, evento cultural que marcou
                                                                       “Seria uma pena perder-se o registo de certos episódios, alguns dos quais
                             várias décadas da vida literária da cidade e que viria
                                                                       bastante interessantes”, escreve no prefácio, evocando a memória como
                             a ser extinto por decisão municipal. A Feira do Livro
                             de Braga nasce da necessidade de preservar um pa-
               trimónio cultural que, nas palavras do autor, “agitou profunda e posi-  uma forma de resistência ao esquecimento.
                                                                       O livro  resulta  de  um  trabalho  de  reconstrução  assente  essencialmente
               tivamente o carente quotidiano cultural que então se vivia na cidade”.  na  memória  do  autor, complementada  por  documentação  fotográfica  e
                                                                       gráfica. “Não possuo arquivos organizados sobre o evento, apenas alguns
               No prefácio, Jorge Cruz explica que a decisão de passar estas memórias ao   papéis”, refere, sublinhando, ainda assim, a importância de conservar esses
               papel amadureceu ao longo do tempo, impulsionada por vários estímulos,   fragmentos como parte de uma herança cultural coletiva.
               mas ganhou verdadeiro sentido quando foi tomada a decisão de extinguir a
               Feira do Livro. “Só a partir do momento, que considero extremamente infe-  Inspirando-se numa reflexão de José Saramago, Jorge Cruz assume a me-
               liz, em que o presidente da Câmara de Braga resolveu acabar com o evento,   mória como uma forma de resistência ao esquecimento e ao desgaste do
               é que tomei a decisão de fazer um esforço de memória para recordar e dei-  quotidiano. Daí que, ao longo das páginas da obra Do Sonho à Realidade,
               xar documentados alguns dos riquíssimos episódios”.     o autor revisita os primeiros passos da Feira do Livro de Braga, bem como o
               O autor reconhece que o fim do evento Feira do Livro de Braga funcionou   seu crescimento e a consolidação de um modelo inovador, particularmen-
               como um verdadeiro ponto de viragem: “Nessa altura entendi que seria útil   te no que respeita ao programa cultural. A título de exemplo, recorda en-
               para a comunidade ter à sua disposição uma publicação que fizesse a histó-  contros e conversas com figuras maiores da Literatura e da Cultura, como
               ria, perfeitamente documentada, de muitos dos riquíssimos episódios das   Jorge Amado ou Serge Reggiani, e faz o registo das muitas personalidades
               sucessivas edições da Feira do Livro”. Para Jorge Cruz, o registo desta me-  que passaram pelo certame até à sua retirada voluntária da organização,
                                                                       em 2009.


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