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PATRIMÓNIO CULTURAL                                    PATRIMÓNIO CULTURAL
















































               Evento afirmou a ‘capital do Minho’ como verdadeiro “catalisador
               cultural” a nível nacional e internacional
               Para o autor, a Feira do Livro de Braga foi muito mais do que um espaço de
               comercialização. Tratava-se de um verdadeiro “catalisador cultural”, com
               um programa inovador que “recusava ser apenas mais um espaço de venda
               de livros, assumindo desde o início a promoção e o intercâmbio cultural”.
               Esse modelo viria, aliás, a influenciar outras iniciativas literárias a nível na-
               cional.
               Mais do que um espaço de venda de livros, a Feira do Livro de Braga afir-
               mava-se, então, como um lugar de encontro, debate e formação cultural.
               Jorge Cruz destaca a importância do contacto direto entre leitores e livros,
               bem como o papel decisivo que o evento desempenhava junto das escolas
               e instituições de ensino. Tratava-se, como refere no prefácio, de um “im-
               portante ativo  cultural  do  município bracarense”,  com  reconhecimento
               muito para além do plano local.
               O autor sublinha também que este seu livro de memórias não pretende
               ajustar contas com o passado nem assumir um tom de denúncia pessoal.
               “Não pretende fazer qualquer ajuste de contas, com a história ou com algu-
               ma pessoa em particular”, esclarece, assumindo uma postura de testemu-  porta a novos projetos, mas admite que, para já, o livro Do Sonho à Reali-
               nho e reflexão crítica sobre as opções culturais e políticas que moldaram o   dade encerra um ciclo de memória e de homenagem a um dos momentos
               destino do evento.                                     mais marcantes da vida cultural bracarense. Mas não só.
               Em termos de mensagem, Do Sonho à Realidade afirma-se como uma de-  O autor assinala, ainda, que este livro de memórias da Feira do Livro de Bra-
               fesa da capacidade cultural da cidade, frisando que, de acordo com a sua   ga poderá vir a ser um instrumento útil, inclusive, para futuros historiado-
               experiência em termos de organização da antiga Feira do Livro de Braga,   res, investigadores ou simples amantes da literatura. A obra está à venda
               “ficou demonstrado que é possível fazer em Braga eventos de grande qua-  na Livraria Centésima Página, Livraria Minho, Livraria Bracara ou pode ser
               lidade. Massa crítica existe, o que falta, muitas vezes, é apenas vontade po-  encomendada à CMinho Editora.
               lítica para criar as condições”, afirma Jorge Cruz, em entrevista à Revista   Obras publicadas por Jorge Cruz
               SIM.
                                                                      • Fragmentos (2009, Calígrafo)
               Esta obra afirma-se, assim, como um contributo para a reflexão sobre po-
               líticas  culturais,  memória  coletiva  e valorização  do  património  imaterial.   • Pequenas Memórias do Correio do Minho (2022, Editora CMinho)
               Assumindo-se “jornalista”, nunca como “escritor”, Jorge Cruz não fecha a
                                                                      • Do Sonho à Realidade (2025, Editora CMinho)


 FEVEREIRO · 2026  #SIMatuaREVISTA                             FEVEREIRO · 2026                                          55
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