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OLHARES
FRONTEIRA É PONTE meros reforçam esse impacto: mais de 76% impacto. Mas, sobretudo, ficam histórias.
dos inscritos encontram-se atualmente em- “Agora sei que consigo”, diz Lara. “O Cami-
Metade do grupo falava português. Metade nho mostrou-nos que aprender fora da sala
espanhol. Ao terceiro dia, falavam a mesma pregados ou a estudar. E cerca de um quarto de aula é real”, acrescenta Francisca.
eram desempregados no momento da inscri-
língua: a da superação. Inicialmente pensado ção. A maioria escolheu o Caminho Central,
para jovens fora do sistema de ensino e em- Num tempo em que a juventude é tantas ve-
prego, o projeto foi alargado ao ensino supe- ficando em aberto a possibilidade de poten- zes descrita em tom de fragilidade, ‘Pegadas’
ciar outras rotas, como o Caminho da Costa,
rior. apresentou outra narrativa: a da capacidade.
em futuras edições. O Caminho continua a ser pedra, pó e seta
Não se tratou de uma visita guiada. Tratou-se DEPOIS DO ÚLTIMO PASSO amarela. Mas agora há uma geração que sabe
de assumir liderança quando o cansaço aper- que cada passo pode ser método. Cada fron-
ta, de gerir conflitos, de documentar histórias, O projeto encerra formalmente, mas o legado teira, aprendizagem. Cada subida, prova. E
de decidir sob incerteza. Cada passo exigia permanece. Ficam materiais pedagógicos e que, às vezes, a maior viagem não é até San-
escolhas. Cada subida testava limites. Os nú- recomendações. Ficam dados que mostram tiago — é até à versão mais forte de si próprio.
#SIMatuaREVISTA MARÇO · 2026 69

