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OLHARES                                                                                                                                 OLHARES


               Projeto transfronteiriço
               Pegadas que ficam para lá do Caminho




               TEXTO: Patrícia Sousa
               FOTOS: Ricardo Moura | DR
              E           se o currículo começasse com

                          uma  subida  íngreme?  E  se  a
                          primeira  prova  fosse  atraves-
                          sar uma fronteira a pé? O pro-
                          jeto ‘Pegadas’ desafiou jovens
               portugueses e espanhóis a trocar a sala de
               aula pelo trilho e a teoria pelo imprevisto.
               O Instituto Politécnico de Viana do Castelo
               (IPVC) deu as mãos a parceiros portugue-
               ses e espanhóis e mostrou que o Caminho
               de  Santiago  pode  formar  tanto  quanto
               qualquer  disciplina  —  talvez  mais.  Porque
               há aprendizagens que só acontecem quan-
               do o chão é irregular e o destino ainda está
               longe.


               O  que  acontece  quando  um  trilho  milenar
               deixa de ser apenas destino e passa a ser mé-
               todo? Em Viana do Castelo, a resposta subiu
               ao palco com nomes, vozes e histórias reais.
               O projeto transfronteiriço  ‘Pegadas’,  tam-
               bém  coordenado pelo  Instituto  Politécnico
               de Viana do Castelo (IPVC) , mostrou que o
               Caminho de Santiago pode ser mais do que
               peregrinação:  pode  ser  laboratório  de  com-
               petências,  exercício  de  cidadania e  ensaio
               geral para a vida adulta. Não se apresentaram   e  Gestão  Empresariais  da  Escola  Superior   quatro  pilares:  Digitalização,  Empreendedo-
               apenas  números.  Apresentaram-se  jovens   de  Ciências  Empresariais  (ESCE)  do  IPVC,   rismo, Sustentabilidade e Pensamento Críti-
               transformados.                       recorda  setembro de  2025  como um  ponto   co.
                                                    de  viragem.  “Aprendemos  a  comunicar  sob
               “Eu não voltei a mesma”. Mariana Sousa, es-  pressão, a lidar com imprevistos, a trabalhar   No  terreno,  porém,  os  conceitos  ganham
               tudante de  Design  do  Ambiente da  Escola   em equipa com pessoas de outra cultura. Foi   densidade.  Jorge Garcia,  coordenador  do
               Superior  de  Tecnologia  e  Gestão  (ESTG)  do   muito  mais  do  que  percorrer  quilómetros”.    projeto em Portugal, sublinha que foram “ex-
               IPVC, resume assim a experiência que viveu   Já Francisca Oliveira, colega de Marketing e   pedições  com  desafios  logísticos  enormes”,
               ao lado dos colegas Rafael Julião e Eduarda   Comunicação Empresarial também da ESCE,   destacando “a forte colaboração entre os dois
               Vasilache. Partiu para o Caminho da Costa à   admite  que  começou  com  reservas.  “Pensei   lados da fronteira”.
               espera  de  uma  caminhada.  Encontrou  uma   que era só mais uma atividade. Não era. Vou   O  consórcio  reuniu  seis  entidades:  ao  IPVC
               travessia interior. “Cada um tem o seu ritmo.   levar comigo a experiência internacional e a   juntaram-se  a  Comunidade  Intermunicipal
               Aprender  a respeitar  isso  mudou  a forma   capacidade  de  organizar  algo  em contexto   do Alto Minho, o Instituto Politécnico do Por-
               como vejo o mundo”, assume. Durante cinco   real”, garante.               to, a Universidade de Santiago de Compos-
               dias,  o  grupo  caminhou,  atravessou  frontei-                          tela, o Clúster da Comunicación de Galicia e
               ras,  partilhou  silêncios  e  superou  cansaços.   QUANDO O TERRITÓRIO ENSINA  a Femxa, com cofinanciamento do programa
               Houve  uma  travessia  de  barco.  Houve  dife-  Entre novembro de 2023 e fevereiro de 2026,   Interreg Espanha-Portugal 2021-2027.
               renças culturais. Houve momentos em que o   cerca de 250 jovens participaram no ‘Pega-
               peso da mochila parecia menor do que o peso   das’. Quase 160 integraram nove expedições   Para Ana Paula Vale, vice-presidente do IPVC,
               das dúvidas. Mas houve também descoberta.    em trilhos  portugueses  e galegos.  Mais  de   a essência é clara: O ‘Pegadas’ não é sobre ca-
               “Percebemos que respeitar o passo do outro   100 concluíram o percurso formativo. A pla-  minhar. É sobre capacitar jovens. “Trata-se de
               é também crescer”, confessa Mariana.   taforma e-learning bilingue soma já 240 ins-  um modelo inovador e híbrido de aprendiza-
                                                                                         gem, com um propósito claro: contribuir para
               Também  com  a experiência do  Caminho  da   critos.  Os  números  falam  por  si  perante  um   a empregabilidade jovem e mostrar que o ter-
               Costa,  Lara  Lopes,  finalista  de  Organização   modelo, híbrido e exigente, que assenta em   ritório pode ser um espaço de qualificação”.



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