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REPORTAGEM
Sem se deter, reforça: “há um vazio na pele, sim. Concordo consigo. to Braga, onde eu não podia sair à rua. Ia para a praia muito cedo
E não é de hoje. Fico feliz de conseguir dizer estas verdades. Não ‘pegar onda’, almoçava, ia para o estúdio e ia logo para casa. Não
são verdades de um ator, são verdades de um ser humano. As pes- podia sair. Era uma loucura!”.
soas fazem uma imagem da gente que não é verdadeira. Durante BRAGA – PALCO DA PAZ
o confinamento (Covid-19) de dois meses e meio, o povo viu quem
é realmente o Kadu, o Carlos Eduardo. Isso é o que me importa e é Chegámos à última fatia desta reportagem. Quisemos saber o por-
isso que vou trazer para o palco no monólogo. Aqui em Braga é a quê da escolha de Braga para a produção de Kadu Moliterno. A
porta de entrada da minha história”. resposta é linear: “porque Braga está se transformando no palco
da ‘Paz’ onde estamos desenvolvendo a Quinta do Carvalho, uma
“SINTO QUE OS PORTUGUESES ME CONHECEM”
propriedade familiar administrada por Fátima Alves que conce-
Paulista e com alma carioca, pergunto a Kadu Moliterno como vê deu ao grupo Naipe Favorito e à Redeportv uma concessão para
a ‘avalanche’ de brasileiros a Braga ao longo dos últimos anos. O transformar o local na Central Internacional de Produções e Rela-
ator diz-se perplexo: “sinceramente eu nem sabia que Braga tinha cionamentos dos nossos projetos, e por Braga ter sua grande im-
muitos brasileiros. Isso é bom para a peça. O que sinto, mesmo nos portância histórica religiosa que dá a chancela de Braga se tornar
portugueses, é que me conhecem. Até pela voz. Isso é muito bom”. a ‘cidade da Paz’ através da cultura e da consciência ambiental”.
Uma relação umbilical que inicia em finais da década de 70 onde Neste pressuposto, recorda que “já somos uma empresa com seis
o país parava para ver ‘Gabriela’, produção brasileira da TV Globo, anos. Trata-se de uma agência que está envolvida com turismo e
baseada na obra ‘Gabriela, Cravo e Canela’ de Jorge Amado. Kadu desenvolvimento. Vir para Braga é uma nova etapa que nos pos-
está consciente que Portugal sempre acolheu de ‘braços abertos’ sibilita ganhar esta voz e ampliar contactos. É um plano forte. Virar
as novelas brasileiras: “sempre soube que Portugal gostava da no- mesmo a página. Estamos abertos a produções. Aqui tenho auto-
vela brasileira. Eu fiz novelas na década de 80. O Brasil também nomia de ser o Diretor, o Professor e trazer toda a minha experiên-
parava. Por exemplo, participei em ‘Água Viva’, novela do Gilber-
cia como Ator”.
#SIMatuaREVISTA DEZEMBRO · 2025 31

