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REPORTAGEM
Um projeto educativo de Literatura Infantil ao serviço da Inclusão e da Cidadania
ELISABETE PEREIRA E MIGUEL OLIVEIRA
UNIDOS PELO CORAÇÃO E PELA ARTE
DE ESCREVER E CANTAR AVENTURAS
FANTÁSTICAS AOS MAIS NOVOS
Texto e fotos: Marta Amaral Caldeira
F oi no tempo da academia, durante a licenciatura em Ensi- A vertente artística entrou cedo na casa que partilham, sobretudo pela mão
de Miguel Oliveira, cantor, guitarrista, compositor e professor, conhecido
no Básico de Português-Inglês, no Instituto Politécnico de
Viana do Castelo, que Elisabete Pereira e Miguel Oliveira se
pela energia com que envolve públicos diversos e crianças. A colaboração
conheceram. Mas só anos mais tarde, já durante a fase de
literária entre o casal surgiu quando Elisabete pediu ao companheiro que
estágio, é que o amor falou mais alto e começaram a namo-
cou o início de um percurso criativo conjunto que se tem consolidado ao
rar e acabaria por dar origem a um projeto pedagógico co-
mum que hoje se afirma no panorama da literatura infantil portuguesa. musicasse uma das suas histórias. A resposta superou expectativas e mar-
longo dos últimos anos.
Hoje, ambos com 48 anos, dão asas aos sonhos pueris. Casados e pais
de dois filhos, fazem da criatividade uma extensão da vida familiar, cru- Obra ‘A menina que não sabia contar’ aborda a educação inclusiva
zando literatura, música e ilustração em obras dirigidas aos mais novos.
A sua história em conjunto escreve-se todos os dias, com criatividade e A história A Menina que Não Sabia Contar foi a primeira aventura literá-
engenho, dedicada a aventuras muito especiais, a causas e valores es- ria que Elisabete Pereira deu à estampa e foi escrita durante a sua primeira
senciais para a construção de uma cidadania plena, crítica e verdadei- gravidez e apresentada ao público no período mais crítico da pandemia de
ramente inclusiva. Covid-19. “Eu pedi ao Miguel para musicar a minha história e ele compôs
uma canção que foi precisamente de encontro àquilo que eu queria. De-
Elisabete Pereira escreve histórias para crianças, Miguel Oliveira compõe pois passou a fazê-lo cada vez mais e esta atividade acabou por despertar
as músicas que lhes dão voz e ritmo. Ao projeto junta-se ainda Paulo Sal- nele também o gosto pela escrita de canções para o público infantojuvenil”,
vador Lopes, ilustrador e amigo do casal, responsável por dar forma visual confessou Elisabete. Miguel é também o ‘leitor beta’ (o primeiro a ler algo
às narrativas. Juntos, constroem livros onde a palavra, o som e a imagem se antes de ser publicado) dos contos infantis que Elisabete escreve.
complementam, com uma forte intencionalidade educativa.
66 FEVEREIRO · 2026 #SIMatuaREVISTA

