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VILA VERDE


               Presidente da Associação Portuguesa de Escritores deu palestra sobre
               Fernando Pessoa a alunos da Escola Secundária de Vila Verde
               JOSÉ MANUEL MENDES: “A OBRA DE PESSOA


               CONTINUA A DESAFIAR-NOS CONSTANTEMENTE”

               Texto e fotos: Marta Amaral Caldeira e Mariana Silva
               A           Escola Secundária de Vila Ver-  fragmentação  de  Pessoa  que  o  torna  tão  difícil   Verde, José Manuel Mendes sublinhou a impor-


                                                    de entender e, ao mesmo tempo, tão profunda-
                           de recebeu, recentemente e de
                                                                                         tância da Literatura e apelou à leitura. “A Teoria
                           forma  entusiástica,  o  Dr.  José
                                                                                         Literária é essencial para nos ajudar a compreen-
                                                    mente fascinante. É essa a razão pela qual a sua
                           Manuel Mendes, presidente
                                                    riqueza, imensa e inesgotável, continua a desa-
                                                                                         der como e por que razão uma obra é inseparável
                           da  Associação  Portuguesa  de
                                                                                         essas são matérias que se aprofundam na facul-
                           Escritores (APE), no âmbito
                                                    Mendes.
               do estudo da obra de Fernando Pessoa. O Au-  fiar-nos constantemente”, destacou José Manuel   do seu tempo, sem deixar de falar ao nosso, mas
                                                                                         dade, para aqueles que vierem a escolher esse
               ditório Dr. João Lobo, encheu-se de  alunos e   “É precisamente a fragmentação   caminho”.
               professores das turmas do 12.º ano de escola-  de Pessoa que o torna tão difícil   Deixando uma última nota, o reconhecido orador
               ridade.                              de entender e, ao mesmo tempo,       realçou a “abundância” da escrita pessoana. “É a
               A sessão integrou-se nas atividades de enrique-  tão  profundamente  fascinante.   sua multiplicidade, quase vertiginosa, que faz de
               cimento curricular e assumiu a forma de uma   É essa a razão pela qual a sua ri-  Fernando Pessoa um autor que nunca se esgota,
               conferência intitulada ‘Fernando Pessoa: alguns                           por mais que o leiam”.
               enredos’, na qual foram abordados diversos as-  queza, imensa e inesgotável, con-
               petos da obra e do universo intelectual pessoano,   tinua a desafiar-nos constante-  A sessão revelou-se, assim, de grande valor peda-
               contribuindo para um aprofundamento crítico e   mente”.                   gógico e cultural, permitindo um contacto direto
               contextualizado do seu legado literário.                                  com uma figura de relevo do meio literário, cul-
                                                    “Podemos perguntar-nos, hoje, se tudo o que   tural e político do país e reforçando o estudo de
               Ao longo da conferência, José Manuel Mendes   Fernando Pessoa escreveu poderia ter sido es-  Fernando Pessoa.
               promoveu  um  diálogo  próximo  e  dinâmico,  en-  crito hoje? A resposta é, obviamente, não. E, na
               volvendo ativamente os alunos, que demonstra-  verdade, não se pode dizer isso de nenhum autor.   José Manuel Mendes destacou, no final, o grande
               ram elevado interesse, atenção e participação. O   É por isso que a História Literária é tão importante.   nível educativo e cultural dos alunos da ESVV, que
               orador convidado explorou o universo heteroní-  O que Pessoa escreveu tinha de ser escrito como   acompanharam a sessão. Muitos foram os alunos
               mico pessoano de forma apaixonada, tendo sido   foi, no seu tempo, nas circunstâncias históricas,   que quiseram trocar algumas palavras com o re-
               aplaudido por várias vezes a sua intervenção.  culturais e estéticas que o moldaram porque se   putado orador e, em nome da ESVV, foram-lhe
                                                                                         oferecidos o tradicional lenço de namorados e
               “Fernando Pessoa não era coeso como um ca-  fosse escrito hoje, seria diferente, necessariamen-  um ramo de cravos, em homenagem ao trabalho
               lhau – falo assim para usar de uma linguagem   te diferente”.             que tem também desenvolvido em prol das letras
               mais simples e para me fazer entender. Não, não   Aos alunos finalistas do Ensino Secundário de Vila   portuguesas e da liberdade de expressão.
               era um calhau. Pelo contrário: é precisamente a





































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