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EXPOSIÇÃO
“EXPOSIÇÃO ÚNICA”
Afável e conhecedora do meio artístico, Marlene Oliveira es-
clarece que este desafio “está ligado a alguns dos nossos sur-
realistas como Mário Cesariny de Vasconcelos e Artur Manuel
Rodrigues do Cruzeiro Seixas”. Tudo somado, acrescenta, “es-
tamos perante uma exposição única, com muito material para
ser visto e apreciado”. Entre as várias atrações, pode ser con-
templada a obra preferida de Paula Rego – ‘Manifesto por uma
causa perdida’ (1965).
Curadora, Marlene Oliveira não tem dúvidas ao afirmar que
estivemos perante “uma das melhores exposições de sempre
que Famalicão teve” que permitiu a quem a visitou conhecer
um pouco melhor uma artista de causas como são exemplos a PERSONAGEM CONTROVERSA
mutilação genital feminina, tráfico sexual de crianças e mulhe- Controversa, Paula Rego nasceu em Lisboa, mas foi em Lon-
res e aborto.
dres - para onde foi estudar - que constituiu família e se afir-
mou como artista plástica com projeção internacional. Até à
sua morte (2022), viveu sempre entre Portugal e Inglaterra. O
pai, republicano e anglófilo, entendia que Portugal não ofere-
cia as condições necessárias para o sucesso de uma mulher, e
foi crucial na decisão de a enviar para Inglaterra. Foi neste país
que, nos anos 50, estudou arte e conheceu o marido, o pintor
Victor Willing, com o qual veio a ter três filhos.
A sua vida dividiu-se entre Portugal e Inglaterra, mas foi neste
último país que desenvolveu a maior parte da sua atividade ar-
tística e onde também deu aulas em universidades ligadas ao
mundo das artes. Nas suas obras iniciais, Paula Rego utilizou
pastel e colagens, evoluindo depois para outras técnicas, no-
meadamente o acrílico, assim confirmando a sua singularida-
de. São sobejamente conhecidos, nos seus quadros, as figuras
de mulheres e de momentos baseados em obras literárias ou
contos populares. As suas convicções feministas também me-
recem ampla representação no seu trabalho.
66 JANEIRO · 2026 #SIMatuaREVISTA

