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ENTREVISTAENTREVISTA
PEDRO AREZES
NOVO REITOR DA UNIVERSIDADE DO MINHO
décimo Reitor da Universidade do Minho tem luz no
olhar. Um semblante raro de quem tem a consciência
que está sentado na mais alta cadeira académica do
O Minho sem ter de atropelar ninguém. Pedro Arezes
nasceu em Barcelos em 1972 por entre um bairrismo que lhe moldou
o caráter. Reside em Guimarães há mais de 30 anos e faz de Braga o
rabisco final de um sonho improvável. O novo Reitor, presidente da
Escola de Engenharia da Universidade do Minho entre 2019 e 2025,
foi candidato único e sucede a Rui Vieira de Castro, que ocupou o
cargo nos últimos oito anos. Pela frente tem um mar de ‘sonhos’
estendido por mais de 20 mil alunos (11% estrangeiros) que fisgam
a sorte por entre 200 cursos nas 12 escolas e institutos espalhados
pelos campi: Braga (Gualtar) e Guimarães (Azurém). Quer começar
por dar uma ‘vassourada’ na burocracia da instituição, reter talento
e projetar a instituição a nível mundial. Tudo pode mudar. O que não
muda são as palavras da mãe que não gosta do cabelo curto que usa.
O avô Rogério, que nunca conheceu e que dizem ser a ‘cara chapada’,
está por certo no Olimpo a aplaudir as façanhas do neto.
TEXTO: Ricardo Moura
FOTOS: Hugo Delgado
Defendeu que a Universidade do Minho (UM) Eu defendo mais do que isso. Falo em relação cendo de complexidade administrativa que
necessitava de uma mudança de protagonis- com as instituições, por meio de uma comuni- acompanhe a complexidade da organização.
tas. Acredita que você é o protagonista cer- dade que apresenta mais de 20 mil pessoas. Se não fizermos um exercício diário de combate
to? a esta complexidade, não vamos ser bem-suce-
Herança pesada? didos. A forma que encontrámos, foi identificar
Assumi essa frase várias vezes porque a uni- Sim, é uma herança pesada. Não entramos nes- os ‘pontos críticos’ e atuar sobre eles.
versidade, como outras instituições, passa por ta sala de ânimo leve. Quem entra aqui fica com
ciclos. Isto significa ‘caras novas’ e ideias novas. a consciência que está perante uma organiza- Vai começar pelo combate à ‘papelada’?
Não é uma questão de idade, mas uma abor- ção complexa. Há aqui um legado cultural que
dagem diferente a problemas que se vão man- nos pesa quando tomamos decisões. Um dos Vou começar exatamente por aí, inclusive te-
tendo. Sou uma pessoa otimista e acredito que pontos que deve nortear a nossa atividade é a nho uma vice-reitoria que tem como objetivo
podemos resolver muitos dos problemas iden- salvaguarda da instituição. ‘quase único’ simplificar os processos no campo
tificados. administrativo. Não será só analisar processos e
simplificar. Há ferramentas que já existem, no-
Que opinião tem, neste momento, da Univer- Defende “mudança” que possa trazer “um ar meadamente digitais, que ajudam a simplificar
sidade do Minho? mais ágil, mais moderno, mais desempoei- o trabalho das pessoas que vivem nesta comu-
rado” à academia minhota. Esmiúce estas
É uma opinião construída por experiências. ideias… nidade. Queremos que a mensagem passe o
mais rápido possível. A acontecer, os professo-
Considero que é uma universidade de referên- res devem estar concentrados em dar aulas; os
cia nacional e internacional. Tem uma identida- Temos várias ideias. O meu programa de ação investigadores em fazerem projetos; os alunos
de muito própria, relacionada com o meio onde inclui 175 ações divididas por diferentes áreas em se formarem, isto sem estarem preocupa-
está inserida. Muitos associam-na às empresas. funcionais. De uma forma breve, é assumir que
uma Universidade que quer evitar ter um cres- dos com as tarefas administrativas.
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