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CRÓNICA
VAMOS FAZER
O QUE AINDA NÃO FOI FEITO
C resci rodeado por exemplos que me ensinaram, an- Este podcast surge da vontade de fazer diferente. Não
para provocar pelo simples gosto de provocar, mas para
tes de qualquer teoria, o que é o mundo e como
nele cabemos. A minha mãe, educadora de infância,
abrir espaço. Espaço para escutar perspetivas novas,
mostrou-me o valor da sensibilidade, da cultura e
para introduzir metodologias diferentes no debate po-
da expressão. O meu pai, homem de trabalho duro,
lítico e, sobretudo, para incluir quem raramente é in-
ensinou-me que nem todos têm o mesmo ponto de
cluído. A ideia é simples e, ao mesmo tempo, profunda-
partida e que o esforço nem sempre se traduz em re-
conhecimento. Entre estes dois exemplos, nasceu em
o centro da conversa política, não como símbolo, mas
mim uma inquietação que nunca desapareceu: a re-
como participantes ativos, com opinião, pensamento e
direito à palavra.
cusa em aceitar a injustiça como algo normal. mente necessária: trazer pessoas com deficiência para
Entre estes dois exemplos nasceu um sentimento que Cada episódio pretende desconstruir um pouco do
me acompanha até hoje: olhar o mundo com atenção e que tomamos como garantido. Questionar paradigmas,
recusar a injustiça como algo normal. Ao longo do meu aproximar a política das pessoas e lembrar que uma de-
percurso, várias experiências moldaram a forma como mocracia saudável não vive apenas de especialistas, mas
vejo a sociedade. O teatro ensinou-me, desde cedo, a também de cidadãos que sentem, pensam e experien-
presença e a expressão. A guitarra ensinou-me a ouvir ciam o mundo de formas diferentes.
– e ouvir é, talvez, a maior forma de respeito pelo ou-
tro. E o escotismo despertou em mim um forte sentido O “Politicamente (In)correto” nasce, portanto, de um
humanista e comunitário, reforçando a importância da percurso pessoal. De uma infância feita de cultura e tra-
entreajuda e a consciência de que cada pessoa carrega balho, de revoltas pequenas que se transformaram em
uma história que merece ser ouvida. O envolvimento em consciência social, de anos de aprendizagem artística
projetos escolares e associativos consolidou esta ideia: e comunitária, e de uma convicção que se foi tornando
todos têm algo a dizer, mas nem sempre encontram es- cada vez mais clara: o mundo não me é indiferente.
paço para serem ouvidos. E se não me é indiferente, então há uma responsabilida-
de.
Hoje, como estudante de Ciência Política na Universi-
dade do Minho, essa inquietação acentuou-se. Perce- A responsabilidade de usar aquilo que aprendi.
bi que o debate político, muitas vezes fechado sobre si
mesmo, se afasta de quem vive fora dele e ignora expe- A responsabilidade de criar pontes onde existem muros.
riências e realidades raramente chamadas a participar. A A responsabilidade de abrir espaço onde antes não exis-
entrada no ensino superior abriu-me horizontes e per- tia.
mitiu transformar essa inquietação em ação. Foi assim
que nasceu o projeto “Politicamente (In)correto” - um Assim: Uma vez que o mundo não me é indiferente, va-
podcast pensado para dar voz a quem nem sempre con- mos fazer o que ainda não foi feito: dar voz a quem a tem,
Pedro Roberto Jorge segue ser ouvido. mas que nem sempre é ouvido.
Estudante de Ciência Politica na
Universidade do Minho e Fundador do
projeto “Politicamente (In)correto”
CONTATOS:
pedrorobertojorge9@gmail.com
914 178 341
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