Page 89 - SIM 315
P. 89

CRÓNICA

                                       VAMOS FAZER

                                       O QUE AINDA NÃO FOI FEITO
                 C                     resci rodeado por exemplos que me ensinaram, an-  Este podcast surge da vontade de fazer diferente. Não




                                                                                  para provocar pelo simples gosto de provocar, mas para
                                       tes  de  qualquer  teoria,  o  que  é  o  mundo  e  como
                                       nele cabemos. A minha mãe, educadora de infância,
                                                                                  abrir espaço. Espaço para  escutar perspetivas novas,
                                       mostrou-me  o  valor  da  sensibilidade,  da  cultura  e
                                                                                  para introduzir metodologias diferentes no debate po-
                                       da expressão. O meu pai, homem de trabalho duro,
                                                                                  lítico e, sobretudo, para incluir quem raramente é in-
                                       ensinou-me que nem todos têm o mesmo ponto de
                                                                                  cluído. A ideia é simples e, ao mesmo tempo, profunda-
                                       partida e que o esforço nem sempre se traduz em re-
                                       conhecimento. Entre estes dois exemplos, nasceu em
                                                                                  o centro da conversa política, não como símbolo, mas
                                       mim uma inquietação que nunca desapareceu: a re-
                                                                                  como participantes ativos, com opinião, pensamento e
                                                                                  direito à palavra.
                                       cusa em aceitar a injustiça como algo normal.  mente necessária: trazer pessoas com deficiência para
                                       Entre estes dois exemplos nasceu um sentimento que   Cada episódio pretende desconstruir um pouco do
                                       me acompanha até hoje: olhar o mundo com atenção e   que tomamos como garantido. Questionar paradigmas,
                                       recusar a injustiça como algo normal. Ao longo do meu   aproximar a política das pessoas e lembrar que uma de-
                                       percurso, várias experiências moldaram a forma como   mocracia saudável não vive apenas de especialistas, mas
                                       vejo a sociedade. O teatro ensinou-me, desde cedo, a   também de cidadãos que sentem, pensam e experien-
                                       presença e a expressão. A guitarra ensinou-me a ouvir   ciam o mundo de formas diferentes.
                                       – e ouvir é, talvez, a maior forma de respeito pelo ou-
                                       tro. E o escotismo despertou em mim um forte sentido   O “Politicamente (In)correto” nasce, portanto, de um
                                       humanista e comunitário, reforçando a importância da   percurso pessoal. De uma infância feita de cultura e tra-
                                       entreajuda e a consciência de que cada pessoa carrega   balho, de revoltas pequenas que se transformaram em
                                       uma história que merece ser ouvida. O envolvimento em   consciência social, de anos de aprendizagem artística
                                       projetos escolares e associativos consolidou esta ideia:   e comunitária, e de uma convicção que se foi tornando
                                       todos têm algo a dizer, mas nem sempre encontram es-  cada vez mais clara: o mundo não me é indiferente.
                                       paço para serem ouvidos.                   E se não me é indiferente, então há uma responsabilida-
                                                                                  de.
                                       Hoje, como estudante de Ciência Política na Universi-
                                       dade do Minho, essa inquietação acentuou-se. Perce-  A responsabilidade de usar aquilo que aprendi.
                                       bi que o debate político, muitas vezes fechado sobre si
                                       mesmo, se afasta de quem vive fora dele e ignora expe-  A responsabilidade de criar pontes onde existem muros.
                                       riências e realidades raramente chamadas a participar. A   A responsabilidade de abrir espaço onde antes não exis-
                                       entrada no ensino superior abriu-me horizontes e per-  tia.
                                       mitiu transformar essa inquietação em ação. Foi assim
                                       que nasceu o projeto “Politicamente (In)correto” - um   Assim: Uma vez que o mundo não me é indiferente, va-
                                       podcast pensado para dar voz a quem nem sempre con-  mos fazer o que ainda não foi feito: dar voz a quem a tem,
               Pedro Roberto Jorge     segue ser ouvido.                          mas que nem sempre é ouvido.
               Estudante de Ciência Politica na
               Universidade do Minho e Fundador do
               projeto “Politicamente (In)correto”
               CONTATOS:
               pedrorobertojorge9@gmail.com
               914 178 341




























 FEVEREIRO · 2026  #SIMatuaREVISTA                             FEVEREIRO · 2026                                          89
   84   85   86   87   88   89   90   91   92   93   94