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EM FOCO
“A proteção da infância não é apenas uma questão institucio- gência. O magistrado sublinhou que cabe ao Estado apoiar as famí-
nal, é uma responsabilidade de todos” lias em dificuldades, evitando separações desnecessárias e promo-
vendo respostas que privilegiem o ambiente familiar.
Para Cristina Dias, vice-reitora da Universidade do Minho, a prote-
ção da infância deve ser encarada como um compromisso coletivo. Menos institucionalização, mais estabilidade
A responsável afirmou que a forma como uma sociedade cuida das
suas crianças é um indicador do seu nível de maturidade, consciên- Até 2030, estão definidas metas para reduzir o número de crianças
cia social e responsabilidade partilhada. a crescer em instituições e aumentar aquelas que vivem em con-
texto familiar. Margarida Santos destacou a importância de prepa-
“A proteção da infância não é apenas uma questão institucional, é rar melhor os jovens para a autonomia e de garantir condições mais
uma responsabilidade de todos”, reforçou. dignas nas casas de acolhimento.
A sessão da tarde iniciou-se com um momento musical protago- “A infância não pode ficar em suspenso”, alertou Paulo Guerra, lem-
nizado por “LOS GIPSYS_Chão Comum”, alunos da Escola EB 2,3 brando que longos períodos de espera por decisões deixam marcas
de Lamaçães, de etnia cigana. A iniciativa procurou promover a in- profundas e duradouras. “O que acontece na infância, não fica só na
terculturalidade, a inclusão e a valorização da diversidade cultural, infância”, reforçou.
reforçando a importância de criar espaços de participação e reco-
nhecimento para todas as crianças e jovens. O modelo Barnahus como referência
Numa nova mesa redonda, subordinada ao tema ‘O Sistema de Entre as boas práticas apresentadas destacou-se o modelo Barnah-
Promoção e Proteção: Pistas de Futuro’, onde foram analisados os us, já aplicado em vários países europeus, que evita a revitimização
principais desafios do sistema português de proteção de crianças e de crianças vítimas de violência. O modelo permite que a criança
jovens. seja acompanhada num único espaço, por equipas multidisciplina-
res, num ambiente seguro e respeitador.
“O sistema de proteção de crianças e jovens em Portugal precisa
de mudar”, afirmou Paulo Guerra, juiz desembargador, defendendo Em Portugal, estas práticas ainda não estão implementadas de for-
um modelo mais justo, mais rápido e verdadeiramente centrado nas ma consistente. Especialistas defenderam a criação de um projeto-
crianças, e não apenas nos processos ou na burocracia. -piloto, acompanhado de formação contínua e supervisão profis-
sional, com vista à sua generalização.
Um dos alertas deixados foi claro: pobreza não é sinónimo de negli-
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