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BRAGA
               BRAGA REFORÇA APOIO A VÍTIMAS


               DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA AO CRIAR UM NOVO

               CENTRO DE ACOLHIMENTO DE EMERGÊNCIA


              E          stá lançada a ‘primeira pedra’ de um novo Centro de Aco-  OLIVEIRA COMO SÍMBOLO
               TEXTO: Ricardo Moura

                         lhimento de Emergência (CAE) que visa apoiar vítimas de
                                                                       Na cerimónia pública, ocorrida na sacristia-mor da Sé de Braga, foi colocada
                         violência doméstica da Caritas de Braga. Idealizado para
                                                                       uma oliveira que será futuramente plantada no jardim da nova CAE. Todos os
                         acolher até 25 pessoas, o novo CAE integra 12 quartos e
                         diversos espaços funcionais destinados a garantir prote-
                                                                       que estará exposto no edifício.
                         ção, dignidade e condições para um novo começo às mu-  presentes foram ainda desafiados a assinar azulejos que formarão um mural
               lheres, crianças e jovens que necessitam de uma resposta imediata e   Presente na sessão, João Rodrigues, presidente da Câmara de Braga, disse
               segura.                                                 que estamos perante um “dia de relevo” ainda que “abordando um assunto tão
                                                                       sério e grave”, mas serve, também, como oportunidade para refletir sobre o
               A empreitada representa um investimento global de cerca de 1,5 milhões
               de euros, com uma comparticipação, a fundo perdido, por parte do Ins-  papel da comunidade, dos agentes políticos e das entidades responsáveis por
               tituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), no valor de quase   estes processos, e sobre a forma como todos podem contribuir para soluções
               900 mil euros. O projeto exige ainda uma angariação superior a 650 mil   que garantam proteção e dignidade a quem mais precisa.
               euros por parte da Cáritas de Braga para fazer face a custos com equipa-  “CORAGEM, RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE”
               mentos e mobiliário, despesas na concretização da candidatura e proje-
               tos de arquitetura e especialidades.                    O atual edil da autarquia bracarense lembrou que “quando tomámos a decisão
                                                                       de, através de uma permuta, ceder o terreno para este fim, fizemo-lo porque
               A violência doméstica é uma das violações de direitos humanos mais per-  consideramos fundamental, numa cidade em crescimento, prever respostas
               sistentes e silenciosas da atualidade. Apesar dos avanços legislativos e do   concretas para situações tão sensíveis como a violência doméstica. E sabemos
               aumento da consciencialização, anualmente, continua a afetar milhares   também que, muitas vezes, estes projetos enfrentam resistências que nascem
               de mulheres, miúdos e jovens em Portugal, atravessando classes sociais,   sobretudo da desinformação e do desconhecimento sobre a verdadeira mis-
               idades e contextos culturais. No passado 25 de novembro assinalou-se   são destas estruturas. Por isso, é essencial que continuemos a esclarecer e a
               o ‘Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres’,   elucidar as pessoas sobre a importância do que aqui está a ser feito”.
               uma data que lembra que este não é apenas um problema individual, mas
               uma responsabilidade coletiva que exige prevenção, proteção e respos-  Embalado, João Rodrigues frisou que, enquanto comunidade, temos de com-
               tas concretas no terreno.                               preender que lidar com estes fenómenos exige “coragem, responsabilidade e
                                                                       solidariedade”. Ato contínuo, reforçou: “cabe-nos criar condições às entidades
               Com efeito, nos últimos anos, Braga tem vindo a reforçar o seu papel en-  que estão no terreno para que quem precisa de proteção tenha acesso a um
               quanto comunidade atenta e ativa nesta área, apostando na articulação   espaço seguro e preparado para apoiar um novo começo”.
               entre o município, as instituições sociais e os serviços do Estado. O mais
               recente passo nesse caminho foi dado com o lançamento simbólico da   A cerimónia contou com a presença do Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro;
               ‘primeira pedra’ do novo Centro de Acolhimento de Emergência (CAE)   da presidente da Cáritas de Braga, Ana Santos; do presidente do IHRU, Benja-
               para vítimas de violência doméstica da Cáritas de Braga.  mim Pereira; da representante distrital da Segurança Social, Fátima Miguel e
                                                                       do engenheiro da empresa responsável pela obra, Bernardo Pinto.







































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