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Marcelo diz adeus em Braga
A capital do Minho testemu-
nhou a cerimónia oficial de
despedida das Forças Ar-
madas ao Presidente da Re-
pública e Comandante Su-
premo, Marcelo Rebelo de Sousa, num ato
solene que reforçou a ligação institucional
entre o Estado e as Forças Armadas. A ini-
ciativa contou, entre outros, com a presen-
ça do presidente da Câmara Municipal de
Braga, João Rodrigues, do presidente da
Assembleia Municipal de Braga, Fernando
Alexandre, dos Chefes dos três ramos das
Forças Armadas - Exército, Marinha e Força
Aérea -, bem como do ministro da Defesa
Nacional, do Chefe do Estado-Maior-Ge-
neral das Forças Armadas, para além de vá-
rias altas autoridades civis e militares.
A cerimónia pública – realizada na Praça da
República (Arcada) e que congestionou o
centro da cidade bracarense – incluiu um por um forte elogio à resiliência local. Marcelo No plano externo, o Presidente elogiou a pre-
desfile militar, honras protocolares e uma ho- percorreu a linha do tempo – da resistência sença portuguesa em palcos internacionais,
menagem formal a Marcelo Rebelo de Sousa, aos romanos às invasões francesas – para como a República Centro-Africana, Roménia
reconhecendo o seu papel enquanto Co- ilustrar o carácter de quem “acredita no im- ou o Mediterrâneo, sublinhando um fator dis-
mandante Supremo e a dedicação ao serviço possível”. Nesse sentido, acrescentou, “Bra- tintivo dos contingentes nacionais: “os outros
do país ao longo do seu mandato. ga recorda-nos a cada esquina que Portugal partem, nós ficamos. E somos sempre fiéis aos
nasceu do espírito indomável”, ao invocar os nossos aliados.”
João Rodrigues destacou a importância des- combates nas encostas do Carvalho d’Este
te momento, sublinhando o respeito e a pro- contra as tropas do general Soult. Sem se de- No que concerne ao estado das Forças Arma-
ximidade histórica da cidade com as Forças ter, indagou “foi assim quando Braga resistiu das, Marcelo garantiu que o investimento su-
Armadas, bem como o significado simbólico no tempo dos romanos. Foi assim desde ‘Bra- biu nos últimos 10 anos e que a modernização
em receber esta cerimónia, que traduz a forte cara Augusta’ até à Idade Moderna. Foi assim de meios navais, terrestres e aéreos “está em
relação entre o Presidente da República, as na Idade Contemporânea, quando resistiu ao curso”, mas alertou que o foco principal deve
Forças Armadas e a cidade de Braga. combate das tropas francesas de Soult.” continuar a ser a valorização dos recursos hu-
“ESPÍRITO INDOMÁVEL” DÉCADA OSCILANTE manos – carreiras, saúde e apoio aos antigos
combatentes – sem os quais “não há Forças
Marcelo Rebelo de Sousa, visivelmente emo- Ao revisitar os últimos 10 anos, Marcelo Re- Armadas”.
tivo, começou por descrever Braga como belo de Sousa invocou o papel das Forças Ar- Na cerimónia, o Presidente condecorou, en-
uma cidade nutrida de um “espírito indomá- madas não apenas na defesa territorial, mas tre outros, o Chefe do Estado-Maior-General
vel”. Ao encerrar uma década de Comandan- na resposta a emergências civis: desde os in- das Forças Armadas, José Nunes da Fonseca,
te Supremo das Forças Armadas, o Presiden- cêndios florestais ao combate à pandemia da com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo,
te da República deixou uma mensagem onde Covid-19 (transporte de doentes, vacinação agradecendo a lealdade e a “chefia exem-
sublinhou o “dever patriótico”, entrelaçando e descontaminação de lares), passando pelo plar”. Marcelo Rebelo de Sousa despediu-se
a história da cidade com a identidade nacio- apoio recente nas cheias. com a garantia de que, tal como os militares
nal. A intervenção ficou marcada, também, que comandou, continuará a servir Portugal.
06 MARÇO · 2026 #SIMatuaREVISTA

