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ENTREVISTA ENTREVISTA
Face ao que oiço, encara o seu trabalho como ‘Cabala’ (conjunto de ensinamentos esotéricos
uma terapia? que pretende explicar a relação entre o Deus
eterno e imutável). Hoje faço ‘constelações
É uma extensão de mim. Criar é o meu lugar de familiares’ (abordagem terapêutica sistémica,
equilíbrio.
desenvolvida por Bert Hellinger, que visa identi-
Consegue viver um dia sem pensar na sua ficar e resolver bloqueios emocionais e padrões
Nessa altura, não podíamos profissão? repetitivos ocultos na história familiar). Há muita
fotografar as montras. Hoje é Hoje já consigo viver. No entanto, durante mui- procura do outro lado de mim. Cada vez mais
inconcebível pensar e trabalhar tos anos não conseguia ‘desligar’. percebo que nós não temos de correr. A maior
parte das pessoas, estar a fazer muitas coisas em
assim. O que fazia? Via as lojas. Sempre viveu em intensidade. O que mudou? contexto de stress, até é bonito. Mas, isso não
De seguida, sentava-me num Durante muitos anos vivi num ritmo muito ace- faz bem. Percebi isto quando, há uns anos, tive
café e começava a desenhar lerado. Desfiles, eventos, pressão. Até que tive um ataque de pânico. Aí entendi que não estava
o que tinha visto. Tinha 20 um ataque de pânico. Foi um sinal claro de que no caminho certo. Não quis mais a aflição que ti-
nha. Não quero isto para mim, daí que me tenha
anos…fixava tudo! Lembro-me algo precisava de mudar. Percebi que sucesso desligado dos desfiles, dos eventos.
que, num só mês, cheguei a não pode custar paz. Afastei-me do que não era Há amizades no estilismo?
genuíno para mim.
desenhar mais de 200 peças. A família foi fundamental para o seu equilí-
Era muito criativa porque brio emocional? Há relações profissionais. A moda é um meio
com muito ego. É preciso saber navegar sem
estava muito sedenta de tudo Sem dúvida. A família é o meu pilar. O meu ma- perder identidade.
que era novidade. rido e os meus filhos são o meu centro. Durante Sentiu, no início da carreira, algum precon-
muitos anos não conseguia desligar do trabalho. ceito por ser do Norte?
Porque decidiu sair e criar a sua marca? Hoje consigo. E isso é uma conquista. Aprendi Sentia que estava fora da “roda”. Tive de traba-
que não preciso correr para provar nada. Hoje
Porque senti que precisava de autonomia cria- sinto que sou mais consciente, mais estratégica, lhar mais para ser vista. Mas isso também me
tiva. Deixar um emprego seguro não foi fácil. mais seletiva e profundamente fiel a si mesma. deu consistência.
Houve meses difíceis. Investia tudo na marca. Quais foram as suas musas inspiradoras de
Mas sabia que precisava de construir algo que Sei que reforçou a sua parte espiritual? que não abdica?
fosse verdadeiramente meu. Muito. Estudei, aprofundei-me, procurei res-
Hoje é mais simples gerir a marca? postas. Hoje trabalho muito o autoconheci- As pessoas que contribuíram para o meu traba-
lho ter visibilidade a nível nacional foi quando
mento. Acredito que só podemos criar com
É diferente. A tecnologia mudou tudo. Faço verdade quando estamos alinhados connosco. vesti, pela primeira vez, numa festa de aniver-
coleções trimestrais, produções cuidadas, foco sário da TVI, a Iva Domingues. Foi também im-
na imagem digital. Já não faço personalizados. O que encontrou do outro lado de si? portante vestir a Vanessa Oliveira nos ‘Globos
Estruturei o negócio de forma mais estratégica. (pausa). Eu fiz um estudo muito grande em de Ouro’ da SIC. Foram momentos importantes
Também aprendi a delegar. relação a isso. Durante muito tempo estudei para a afirmação nacional da marca.
Ainda sonha vestir a Madonna?
(risos). Sou fã da Madonna, sim. Mas hoje sonho
mais com crescimento sustentável do que com
nomes específicos.
Qual é o desenho que ainda lhe falta fazer?
A próxima coleção.
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12 MARÇO · 2026 #SIMatuaREVISTA

