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ENTREVISTA ENTREVISTA
Já tem em marcha o Plano de Atividades para o O que podia ser feito e não foi feito? Braga desperdiça dois milhões e 200 mil euros
corrente ano. A oposição ajudou ou encravou? por ano por não reciclar 40% dos resíduos pas-
Há muito por fazer. É por isso que cá estamos. As
Absteve-se! Não votaram contra porque a popu- coisas foram feitas da forma possível. No entan- síveis de serem reciclados, o que representa 110
toneladas por dia e 40 mil toneladas a cada ano.
lação não iria compreender e nem quiseram dar to, há equipamentos culturais que já deviam es- Como olha para estes números?
a ‘mão à palmatória’. Conseguimos incorporar, no tar prontos. Cito sempre o exemplo da ‘Casa da
Plano de Atividades, cerca de 70% das medidas Música’ do Porto que só foi inaugurada dois anos Com alguma preocupação e com a certeza de que
propostas pela oposição. Mesmo assim, abstive- após o previsto. Na minha opinião, há uma série de ainda há um longo caminho a fazer nesta área não
ram-se. Nem se compreende. A oposição está a equipamentos que a cidade teria ganho se já es- só em Braga, mas em todo o país. O município, quer
permitir que a tática e o ‘jogo político’ se sobre- tivessem concluídos. Não foi possível. Estamos a através da AGERE, quer através da BRAVAL, com a
ponham aos interesses da cidade. Mas isso é com fazer de tudo para os colocar ao serviço da comu- recolha de resíduos diferenciada, tem feito um tra-
eles. O que importa realçar é que conseguimos nidade o quanto antes: Museu da Imagem, Casa balho absolutamente brutal ao longo das últimas
o maior investimento e orçamento de sempre e dos Crivos, a própria Escola Francisco Sanches, o décadas. Esta é uma questão de consciência comu-
agora vamos concretizar projetos importantes São Geraldo… nitária. Cada pessoa tem de cumprir a sua parte para
para os bracarenses. que esses números não tenham essa expressão.
Vai regressar em força a Feira do Livro de Bra-
Que lhe pareceu a obra que está a ser erguida ga. Aparece num contexto de fulgor do Festival Braga regista um aumento significativo de pes-
como a maior residência estudantil pública em Utopia. Como pensa complementar estes dois soas em situação de sem-abrigo. A garantia é da
Portugal? eventos quando o livro é o protagonista em am- Cruz Vermelha. Concorda?
Está muito bem. Gostei do que vi. Mas a oposição, bos? Há um aumento, não tenho dúvida. Agora…a pri-
uma vez mais, insiste em fazer o contrário. Lem- Temos um festival literário. Outra coisa é uma feira meira pergunta – e não estou a ser poético – que eu
bro-me de ver o candidato da força política ASB, à do livro. Naturalmente, que podem ser repetidas fiz a primeira vez que me sentei com pessoas res-
porta da Confiança, a dizer que não podia ser uma coisas. A verdade é que vamos ter dois momen- ponsáveis dessa área foi: Braga tem hoje condições
residência, quase em vigília, com uma ‘velinha’ tos do ano diferentes. São conceitos diferentes e para não ter um sem-abrigo na rua? Há resposta
na mão. Estou à espera, quando inaugurarmos achei por bem fazer regressar a feira do livro com a para toda a gente? A resposta que obtive: há. Uma
a residência universitária, para ver qual a mensa- dignidade que merece, até porque muitos braca- resposta física. No limite, ninguém tem de dormir
gem que vai adotar. Viemos dar resposta a vários renses nos pediram o seu regresso durante a cam- na rua. Não há um ser humano que tenha de dor-
problemas: um de reabilitação daquela zona; fa- panha eleitoral. Embora ainda não tenha data pre- mir na rua em Braga. Depois há uma outra ordem
zer alguma coisa da Confiança, num edifício que vista, será anunciada oportunamente com toda a de razões que leva à sua propagação. Desde logo, o
estava abandonado e depois resolver o problema programação prevista e em que moldes será feita. crescimento da cidade.
maior que é o alojamento estudantil. De repente,
são quase 800 camas que passam a estar disponí- Está a garantir que qualquer pessoa que bata à
veis em Braga. O local é ótimo, a poucos metros da porta da Câmara numa situação de sem-abrigo,
Universidade do Minho. terá a sua situação resolvida?
A par deste investimento público somam-se al- No mesmo dia tem sítio onde ficar. Posso deixar esta
guns sinais de iniciativa privada… garantia que temos respostas sociais prontas para
isso.
Ainda bem que aborda esta questão porque é
muito importante saber o que se passa em Braga. Não há um ser humano que Já sentiu a tentação de falar com um sem-abrigo?
Neste momento, temos processos aprovados ou tenha de dormir na rua em Já o fiz e várias vezes. A primeira pergunta que lhes
em vias de aprovação, com o intuito de obter mais
de 1.000 camas em residências privadas. A res- Braga. Depois há uma outra faço é se querem ir dormir a um sítio que não seja
posta, nesta área, está a ser dada de forma muito ordem de razões que leva à ao relento? O que oiço são respostas do género “já
positiva. estive, mas agora não me dá jeito” ou “amanhã vou
sua propagação. Desde logo, pensar nisso”.
Como tem sido a relação com o novo Reitor da o crescimento da cidade. (…) A
Universidade do Minho? Compreende as respostas que ouve?
primeira pergunta que lhes faço
Muito tranquila. Já estivemos juntos em vários é se querem ir dormir a um sítio Compreendo partindo do pressuposto que há algo
pequenos momentos onde conseguimos falar. que não está bem com essas pessoas.
Parece-me uma pessoa bastante afável, com boa que não seja ao relento? O que Por norma, toma apontamentos, sinaliza e delega
capacidade de trabalho e com boa visão daquilo oiço são respostas do género a quem de direito?
que deve ser a universidade.
“já estive, mas agora não me dá Sim, faço isso. Aliás, a Câmara Municipal tem uma
Que balanço faz à ‘Braga 25’ – Capital Portu- jeito” ou “amanhã vou pensar estrutura profissional de acompanhamento destes
guesa da Cultura, evento que mobilizou 1,5 casos a sério. Não é um pormenor da autarquia.
milhões de espetadores (mais de 1.000 ativida- nisso”. Existe uma boa articulação com as IPSS (Instituição
des)? Este número, só por si, convenceu-o que Particular de Solidariedade Social) do concelho. Há
estivemos perante um marco para a cidade ou protocolos onde imperam transferências de valores
esperava mais? Decidiu fazer regressar a feira semanal ao Fó- nos quais são desenvolvidas atividades de forma
rum Braga. A mudança operada foi um equívo-
Foi claramente um ganho para a cidade. No en- co? exemplar. A rede existe, como há uma pequena ‘bo-
tanto, estas coisas sabem sempre a pouco. Foi um lha’ que, infelizmente, persiste.
grande investimento que fizemos e, muitas ve- A decisão que foi tomada nunca foi compreendi- Viramos a agulha para o desporto. Como tem
zes, não se vê o resultado logo na hora. O evento da pelas pessoas. Eu próprio não concordo que a sido a sua relação com o presidente do Spor-
teve o papel, mais contundente, de abrir a porta Estrada Nacional esteja cortada para a realização ting de Braga?
da cultura aos bracarenses. Houve projetos mui- de uma feira. Se me pergunta se o Fórum Braga
to positivos, mas há muito trabalho a fazer daqui é o sítio ideal? Talvez não seja. A feira ganharia ter Tem sido uma relação quase diária. Por estes dias,
para a frente. Nós multiplicamos o investimento um local próprio, não necessariamente no centro assinamos um protocolo onde a Câmara transfere
na ‘Cultura’ nos últimos anos e agora vamos con- da cidade. Esse lugar ainda não existe e como tal, para o Sporting de Braga perto de 350 mil euros
tinuar a apostar em aumentar a dinâmica cultural vamos cumprir a promessa de a retirar da estrada no apoio às modalidades. A relação é estreita e
em Braga. nacional o mais rápido possível. contínua.
06 FEVEREIRO · 2026 #SIMatuaREVISTA

