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ENTREVISTAENTREVISTA
JOÃO RODRIGUES
PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE BRAGA
T rês meses volvidos, João Rodrigues volta a conversar com
a Revista SIM para carimbar os primeiros 100 dias como
presidente da Câmara Municipal de Braga. O olhar não
vacila por entre as boas memórias, as conquistas históricas
e algumas provocações. Coloca no pico do sorriso o avanço da ‘Nova
Circular Externa’, um anel onde o Governo prometeu acasalar 80
milhões. A aprovação do novo PDM foi a ‘alfinetada’ para quem não
acreditava. Olha para a oposição como um xadrez onde as peças
estão à deriva. Salvou-se Catarina Miranda (PS/PAN), resgatada para
ocupar um executivo que navega em águas tranquilas, apesar de estar
cercado por uma dezena de opositores. Dias de azáfama onde são
inegociáveis, pelo meio, o silêncio e o abraço da família. Um autarca CMB
sereno que dá mostras de controlar o ‘jogo político’. De tudo o que
o envolve, só sai derrotado pelo filho mais velho – um benfiquista
indomável, a caminhar para os quatro anos, que não cede à tentação
dos ‘Guerreiros do Minho’.
TEXTO: Ricardo Moura
FOTOS: Hugo Delgado
Quando nos conhecemos a cadeira da Presi- que prometi fazer e é isso que estou a fazer com potência ou arrogância – onde afirmo que é
dência estava um pouco mais que fria dado sucesso. absolutamente possível gerir uma Câmara em
que tinha iniciado funções há escassos dias. Sem ‘esqueletos no armário’? minoria. Foi isso que aconteceu. Por exemplo,
Hoje é uma ‘cadeira quente’? até ao momento, provavelmente já aprovámos
Sim, está mais quente. Mais quente do que eu Há ‘esqueletos’ que perduram por muito tem- mais pontos da ‘Ordem de Trabalhos’ do que no
último mandato. Foram mais de 1.400 pontos
gostava porque têm sido muitas horas na Câ- po. Esta cidade tem dois mil anos. Há situações aprovados e isso exige muito trabalho e respon-
mara Municipal. É um tempo que me obriga a que condicionam a nossa atuação, como em to- sabilidade da nossa parte.
estar no gabinete. Uma situação que espero al- das as cidades. É uma cidade que cresceu mui-
terar nos próximos meses. É sinal de que estarei to nos últimos anos. Apresenta questões que, a Há aí muito ‘jogo de cintura’ tendo em conta
mais no terreno, junto das pessoas. No entanto, meu ver, já deviam ter sido resolvidas de outra que não existe delegação de competências
as horas empenhadas nessa cadeira e no gabi- maneira. São mais de 200 mil habitantes, com completa do Presidente da Câmara…
nete deram frutos. um território vasto, com 37 freguesias…é natural
que haja condicionantes do passado. Mas va- É evidente que isto obriga a um maior trabalho
Continua a cozinhar os dias com a adrenalina mos ultrapassá-los. da nossa parte. Uma prestação de informação
que invocou no arranque da Presidência? superior àquela onde não é necessário a quem
Como conseguiu constituir o executivo ten- tem maioria. No entanto, isto não me preocupa
A adrenalina mantém-se. Se calhar, em alguns do em conta a nomenclatura que tinha pela absolutamente nada. Tenho a profunda convic-
momentos, até aumentou face àquilo que sen- frente (uma dezena de vereadores espalha- ção de que tudo aquilo que propomos é bem
tia há três meses. São, fundamentalmente, três dos por diversas forças políticas)? proposto. Não estou a dizer que são as melho-
meses feitos com sorriso na cara, com alegria, Desde o primeiro dia que tenho dito uma men- res ideias do mundo. O que digo é que tudo é
com conquistas diárias para a cidade. Foi isto
sagem – que muita gente confundiu com pre- refletido e pensado para benefício da cidade.
02 FEVEREIRO · 2026FEVEREIRO · 2026 #SIMatuaREVISTA

