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PAREDES DE COURA
Espumante de Paredes de Coura promete surpreender
‘IMPOSSÍVEL’ À MESA
E m Paredes de Coura, um concelho “Quando as pessoas se tornam maiores do que as a trabalhar com coragem e a acreditar que o im-
Texto: Patrícia Sousa
suas circunstâncias, os projetos mais belos podem
conhecido mais pelos seus fes-
possível é apenas o ponto de partida para grandes
tivais de música e paisagens de
conquistas. Em última análise, o ‘Impossível Espu-
nascer nos lugares mais inesperados”, assume Ví-
alta montanha do que por vinhe-
tor Paulo Pereira. Esta frase resume a essência do
mante’ não é apenas uma bebida. É um símbolo de
dos, uma história inaudita come-
mesmo nos terrenos mais adversos, podem nascer
nado e determinado, conseguiu em apenas um
çou a ganhar forma. Uma história
ano aquilo que muitos julgavam impossível. Em
que desafia preconceitos, prova que, quando que aconteceu: um grupo pequeno, mas apaixo- esperança, inovação e resiliência. É a prova de que,
projetos de excelência, capazes de transformar vi-
idealismo, conhecimento técnico e coragem se comparação, como lembrava a baronesa Philippi- das, inspirar gerações e elevar o nome de Paredes
unem, até o impossível pode tornar-se realida- ne de Rothschild, do Château Mouton Rothschild, de Coura para o mapa mundial da viticultura. Em
de. Esta é a história do ‘Impossível Espumante’, “fazer vinho é relativamente simples, mas os pri- Paredes de Coura, o ‘Impossível’ “é engarrafado e
um projeto que transformou o que muitos con- meiros 200 anos são os mais difíceis”. Aqui, refere depois metido em caixas”.
sideravam uma “maldição” numa oportunidade o ex-autarca, “em muito menos tempo, apenas um
de inovação. ano, conseguiu-se produzir um espumante numa
terra improvável e que diziam maldita”.
Tudo começou com Vítor Paulo Pereira, ex-presi-
dente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, PAREDES DE COURA VENCE “MALDIÇÃO”
que, através de uma pós-graduação na Universi-
dade do Minho, mergulhou no universo dos vinhos O nome do espumante, ‘Impossível’, não é ape-
e descobriu um caminho que parecia improvável: nas simbólico. Ele nasceu como um desafio direto
produzir um espumante de qualidade numa região àquilo que muitos acreditavam ser inatingível. A
de altitude elevada, clima rigoroso e solos desafia- região, antes considerada “maldita” para a produ-
dores. Juntaram-se a ele dois jovens locais, que re- ção de vinhos, agora vê-se no centro de um projeto
ceberam olhares desconfiados e até risos de incre- que promete não só sucesso comercial, mas tam-
dulidade quando se lançaram no plantio de vinhas. bém o reforço do branding do concelho.
Para a maioria, aquela terra era uma “madrasta” O projeto ‘Impossível Espumante’ não é apenas
– adversa à produção de vinho. Mas para eles, era sobre vinhos ou espumantes. É sobre a força de
apenas um desafio a ser superado. um concelho, sobre a capacidade de uma comuni-
dade se reinventar e sobre a inspiração que surge
O projeto ganhou ainda mais força com a expe- quando se acredita no que parecia mesmo impos-
riência e reputação de dois enólogos de renome, sível. Como disse o artista Cruzeiro Seixas, citado
Luís Cerdeira e Manuel Cerdeira (pai e filho), que por Vítor Paulo Pereira, “tudo é possível, principal-
fizeram parte da histórica marca Soalheiro de mente o impossível.” O ex-autarca sempre acredi-
Melgaço. Combinando saber ancestral e técnicas tou que “um pequeno grupo de pessoas idealistas,
modernas, estes “autênticos cientistas e feiticeiros comprometidas com o trabalho e com capacidade
na arte de fazer vinhos e espumantes” assumiram técnica e sem medo do fracasso poderiam fazer
a tarefa de transformar uvas aparentemente limi- aquilo que parecia impossível”.
tadas pela geografia num produto que pudesse
competir em qualidade com os melhores espu- Os criadores deixam ainda um convite: que outros
mantes do país. jovens e comunidades aprendam a sonhar alto,
80 JANEIRO · 2026 #SIMatuaREVISTA

