Page 53 - SIM 313
P. 53
EM FOCO
‘Utopia - Festival Literário de Braga’
BIBLIOTECA LÚCIO CRAVEIRO DA SILVA
ABRIU PORTAS PARA COMUNIDADE FALAR
DOS LIVROS DA SUA VIDA
A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, dirigida por Aida
TEXTO: Marta Amaral Caldeira
Alves, serviu de palco para várias iniciativas dinamiza-
das no âmbito do evento ‘Utopia – Festival Literário de
Braga’, algumas das quais dinamizadas por Fernando
Azevedo, professor da Universidade do Minho (UMi-
nho). Exemplo disso foi a atividade intitulada ‘Os livros
da minha vida’, na qual os leitores da comunidade foram convidados a
falar dos seus autores e obras de predileção.
Nesta sessão especial, os participantes presentes tiveram oportunidade
de falar das obras que marcaram as suas vidas para sempre, sendo até mo-
tivo de uma transformação pessoal e de uma inspiração constante. Entre
memórias que divagaram pelos livros que transportam consigo, os leitores
partilharam as suas histórias.
O próprio moderador do debate, o professor Fernando Azevedo, levou
para a sessão literária um dos livros da sua vida: o ‘O Gato Malhado e a An-
dorinha Sinhá’, da autoria de Jorge Amado. Uma obra encantadora que
narra uma história de amor entre um gato malvisto e uma andorinha. De
acordo com as palavras do docente, trata-se de uma obra que tem a sua
importância, sobretudo nos dias de hoje, “abordando temas como precon-
ceito e a aceitação do outro e da sua diferença”. da reconciliação”. Referindo-se à última cena do livro, em que dois mas-
todontes se juntam para retocar as figurinhas do presépio com uma certa
Priscila Ferreira, professora de Economia da UMinho, foi uma das leitoras delicadeza, apesar das suas mãos calejadas e grosseiras, a leitora destaca a
que fez questão de marcar presença nesta iniciativa, onde acabou por subir relevância da obra na atualidade.
ao palco para falar do seu amor por Vergílio Ferreira – precisamente o seu
autor favorito – e da respetiva obra ‘Em nome da terra’. “Este livro cai como pedrada no charco na atualidade, pois mostra que ape-
sar de todas as incompatibilidades que possam existir entre duas pessoas
“Quando descobri o Vergílio Ferreira foi como se me tivesse encontrado
também, no sentido em que me lembro de ter pensado, na altura, que fi- antagónicas é possível o consenso”, referiu, descrevendo que na última
nalmente tinha encontrado alguém que me percebia, de facto”, contou. “Se cena da obra, as próprias personagens, que tinham visões opostas, surgem
não leram ainda este autor, recomendo que leiam, porque depois de eu ter juntas a retocar a carinha do Menino Jesus, o que significa que é possível
lido este primeiro livro, que é muito filosófico, eu li todos os seus livros”. encontrar serenidade para realizar tarefas tão básicas quanto esta”.
Para Luísa Magalhães, os tempos atuais são “perturbadores” e “violentos”,
‘D. Camilo e o seu pequeno mundo’, do escritor italiano Giovanni Guares- mas esta obra de Giovanni Guareschi exibe “uma pequena aldeia italiana
chi, é um dos livros da vida de Luísa Magalhães, professora da Universidade que sobreviveu à guerra e que apesar das visões antagónicas das persona-
Católica Portuguesa – Centro Regional de Braga e explica: “passando-se gens é possível manterem a coexistência e encontrar momentos bonitos e
no ambiente pós-guerra, o que este livro tem de espantoso é o espírito
sinceros”.
DEZEMBRO · 2025 #SIMatuaREVISTA DEZEMBRO · 2025 53

