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EM FOCO


                ‘Utopia - Festival Literário de Braga’
               BIBLIOTECA LÚCIO CRAVEIRO DA SILVA

               ABRIU PORTAS PARA COMUNIDADE FALAR

               DOS LIVROS DA SUA VIDA

               A            Biblioteca  Lúcio  Craveiro  da  Silva,  dirigida  por  Aida
               TEXTO: Marta Amaral Caldeira

                            Alves, serviu de palco para várias iniciativas dinamiza-
                            das no âmbito do evento ‘Utopia – Festival Literário de
                            Braga’, algumas das quais dinamizadas por Fernando
                            Azevedo, professor da Universidade do Minho (UMi-
                            nho). Exemplo disso foi a atividade intitulada ‘Os livros
               da minha vida’, na qual os leitores da comunidade foram convidados a
               falar dos seus autores e obras de predileção.
               Nesta  sessão  especial,  os  participantes  presentes  tiveram  oportunidade
               de falar das obras que marcaram as suas vidas para sempre, sendo até mo-
               tivo de uma transformação pessoal e de uma inspiração constante. Entre
               memórias que divagaram pelos livros que transportam consigo, os leitores
               partilharam as suas histórias.
               O próprio  moderador  do  debate,  o professor  Fernando  Azevedo,  levou
               para a sessão literária um dos livros da sua vida: o ‘O Gato Malhado e a An-
               dorinha Sinhá’, da autoria de Jorge Amado. Uma obra encantadora que
               narra uma história de amor entre um gato malvisto e uma andorinha. De
               acordo com as palavras do docente, trata-se de uma obra que tem a sua
               importância, sobretudo nos dias de hoje, “abordando temas como precon-
               ceito e a aceitação do outro e da sua diferença”.      da reconciliação”. Referindo-se à última cena do livro, em que dois mas-
                                                                      todontes se juntam para retocar as figurinhas do presépio com uma certa
               Priscila Ferreira, professora de Economia da UMinho, foi uma das leitoras   delicadeza, apesar das suas mãos calejadas e grosseiras, a leitora destaca a
               que fez questão de marcar presença nesta iniciativa, onde acabou por subir   relevância da obra na atualidade.
               ao palco para falar do seu amor por Vergílio Ferreira – precisamente o seu
               autor favorito – e da respetiva obra ‘Em nome da terra’.  “Este livro cai como pedrada no charco na atualidade, pois mostra que ape-
                                                                      sar de todas as incompatibilidades que possam existir entre duas pessoas
                “Quando descobri o Vergílio Ferreira foi como se me tivesse encontrado
               também, no sentido em que me lembro de ter pensado, na altura, que fi-  antagónicas  é possível  o consenso”,  referiu,  descrevendo  que  na  última
               nalmente tinha encontrado alguém que me percebia, de facto”, contou. “Se   cena da obra, as próprias personagens, que tinham visões opostas, surgem
               não leram ainda este autor, recomendo que leiam, porque depois de eu ter   juntas a retocar a carinha do Menino Jesus, o que significa que é possível
               lido este primeiro livro, que é muito filosófico, eu li todos os seus livros”.   encontrar serenidade para realizar tarefas tão básicas quanto esta”.
                                                                      Para Luísa Magalhães, os tempos atuais são “perturbadores” e “violentos”,
               ‘D. Camilo e o seu pequeno mundo’, do escritor italiano  Giovanni Guares-  mas esta obra de  Giovanni Guareschi exibe “uma pequena aldeia italiana
               chi, é um dos livros da vida de Luísa Magalhães, professora da Universidade   que sobreviveu à guerra e que apesar das visões antagónicas das persona-
               Católica Portuguesa – Centro Regional de Braga e explica: “passando-se   gens é possível manterem a coexistência e encontrar momentos bonitos e
               no  ambiente  pós-guerra,  o  que  este  livro  tem  de  espantoso  é  o  espírito
                                                                      sinceros”.































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