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EM FOCO EM FOCO
João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga:
“O FESTIVAL UTOPIA AFIRMA BRAGA COMO UMA
DAS CAPITAIS DA LITERATURA EM PORTUGAL”
A terceira edição do ‘Festival Literário Utopia’ reforçou o PROGRAMAÇÃO DE EXCELÊNCIA
TEXTO: Ricardo Moura
crescendo que mostrou os anos anteriores ao juntar al-
Radiante pelo que viu, o presidente João Rodrigues destacou que este
guns dos maiores nomes da literatura lusófona e inter-
evento cultural é para Braga um “orgulho” dado que reuniu uma “pro-
nacional numa programação alargada e pensada para
todas as idades. Ao longo de 10 dias, o cartaz ofereceu
outras áreas artísticas. O autarca lembrou que “num contexto de cres-
conversas, espetáculos, workshops, sessões com esco- gramação de excelência” ao mesmo tempo que cruza a literatura com
las, oficinas, entrevistas, exposições e jantares vínico literários. O Espaço cimento como o que vivemos na nossa cidade, sabemos que a cultura
Vita concentrou grande parte do programa, mas outros espaços, como o tem um papel fundamental para que esse mesmo crescimento decorra
Theatro Circo, também foram palco de momentos do Utopia. Foram mais de forma sustentável”. O edil acentuou que “neste ano, em que ostenta-
de 30 mil pessoas e mais de 600 horas de programação. Ao todo, 50 par- mos o título de Capital Portuguesa da Cultura, construímos as bases de
ceiros de um cartaz único no panorama cultural português. uma intensificação do trabalho cultural que prosseguiremos nos próxi-
mos anos”.
Logo a abrir a presença de Abdulrazak Gurnah, Prémio Nobel da Literatura A alinhar pelo mesmo diapasão esteve Margarida Balseiro Lopes ao sub-
2021, que teve a companhia do escritor moçambicano Mia Couto, recente- linhar a importância da articulação entre diferentes agentes culturais,
mente distinguido com o Prémio PEN/Nabokov 2025 para Literatura In- públicos e privados: “é fundamental reforçar esta parceria entre o setor
ternacional, tornando-se o primeiro autor de língua portuguesa a receber o público e o setor privado. Nesse sentido, o Festival Utopia é um excelen-
galardão. A estes, outros nomes se juntaram como Ricardo Araújo Pereira, te exemplo de como essas colaborações podem gerar resultados muito
Frederico Lourenço, Kátia Guerreiro, Martim Sousa Tavares e Dino D’ Santia- positivos e beneficiar toda a comunidade.”
go. Espetador particularmente atento, João Rodrigues declarou que “o Uto-
pia afirma Braga como uma das capitais da literatura em Portugal. Durante A visita contou ainda com a presença do Diretor do Festival, Paulo Fer-
estes dias, a cidade recebeu autores, leitores, investigadores, tradutores e reira, e de Kátia Guerreiro, Comissária de Ponte Delgada Capital Portu-
criadores de várias áreas, mostrando como a literatura pode ligar gerações, guesa da Cultura 2026.
linguagens e públicos muito diferentes”. Para o Presidente da Câmara Mu-
nicipal de Braga “ter um Nobel em Braga, numa sala para ouvir falar de livros Da oferta do ‘Utopia – Festival Literário de Braga’ destaque para a mesa-
e de mundo, diz muito do nível a que este festival já chegou e da cidade que -redonda, realizada na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, que abordou o
queremos continuar a ser. O Utopia está a tornar-se uma marca de Braga: tema ‘Que impacto têm as leituras da infância na criação literária de um
traz grandes autores, põe leitores e escritores à conversa e leva a literatura a autor?’ – uma ação coordenada por Elisabete Pereira, Marta Ferreira e
vários espaços da cidade”. Mariana C. Ferreira, contou com moderação de Fernando Azevedo (IE/
UMinho), numa atividade organizada pela Rede de Bibliotecas de Braga
MINISTRA DA CULTURA PRESENTE – Ciclo LLL, inserida no Festival Utopia.
A Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, marcou presença neste AÇORES NA AGENDA
evento, promovido pela The Book Company em parceria com a Câmara
Municipal de Braga. A acompanhar a comitiva esteve o autarca João Rodri- O Festival Utopia de Braga vai estrear-se nos Açores em 2026, no âm-
gues. A visita incluiu um percurso pelas diversas áreas do festival, uma atua- bito das comemorações de Ponta Delgada, Capital Portuguesa da Cul-
ção do Grupo de Música da Academia Sénior de Braga e um momento de tura. “Também a internacionalização é hoje uma parte central da nossa
contacto direto com livreiros, editores, parceiros e patrocinadores. A jornada missão”, sublinha Paulo Ferreira, diretor do festival, recordando que “o
culminou com um espetáculo musical protagonizado pelo Conservatório passo dado em 2025, com o Utopia Colômbia, mostrou-nos a importân-
Bomfim na Capela Imaculada. cia de levar a literatura e a cultura portuguesa além-fronteiras”.
52 DEZEMBRO · 2025 #SIMatuaREVISTA

