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FAFE

               ‘Monumentos ao Emigrante’ do historiador fafense

               DANIEL BASTOS DÁ A CONHECER “PEÇAS DO PUZZLE

               DA HISTÓRIA DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA”


               Texto: Patrícia Sousa
              E           ntre  fotografias,  histórias  de  coragem  e  símbolos  de   imagens que retratam diferentes épocas e destinos da emigração. Mui-

                          esperança, Paris tornou-se palco de reconhecimento à
                                                                       tas evocam a partida para França, simbolizada pela mala de cartão que
                                                                       marcou os anos 60 e 70. Daniel Bastos destacou ainda que a fotografia
                          comunidade portuguesa, que ao longo de décadas dei-
                          xou Portugal em busca de um futuro melhor. O histo-
                                                                       funciona como “uma mais-valia indubitável”, porque transmite emoção e
                          riador fafense Daniel Bastos transformou esta memória
                          coletiva em livro, reunindo monumentos que contam a   reforça a mensagem do livro.
               história da emigração portuguesa em cada distrito do país. As fotogra-  O historiador acredita que muitos emigrantes e lusodescendentes vão
               fias são da autoria de Luís Carvalhido.                 reencontrar na obra detalhes do território onde nasceram.
                                                                       Mais de 100 monumentos
               A Maison du Portugal – André de Gouveia, na Cidade Internacional Uni-
               versitária de Paris, recebeu a apresentação do livro ‘Monumentos ao   A obra, bilíngue em português e inglês com tradução de Paulo Teixeira,
               Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa’,   resulta de anos de investigação e registo fotográfico de mais de uma cen-
               desenvolvido pelo historiador fafense Daniel Bastos, em parceria com o   tena de monumentos dedicados aos emigrantes portugueses, espalha-
               fotógrafo Luís Carvalhido. A sessão contou com a presença do secretário   dos por Portugal continental, Madeira e Açores. Cada estátua, busto ou
               de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, da cônsul-geral   memorial representa uma peça de um grande puzzle que conta a história
               adjunta, Mafalda Paiva de Oliveira, e reuniu ainda membros da comuni-  da coragem, do sacrifício e do contributo da diáspora para Portugal e para
               dade luso-francesa. O lançamento foi um reconhecimento à comunidade   os países de acolhimento.
               portuguesa em França, a mais numerosa da Europa, com quase um mi-
               lhão de pessoas.                                        O livro inclui prefácio de Onésimo Teotónio Almeida, posfácio de Maria
                                                                       Beatriz Rocha-Trindade, e reflete décadas de histórias de partida, espe-
               Para Daniel Bastos, cada monumento é “uma peça do puzzle da história   rança e construção de futuro.
               da emigração portuguesa”, já que o livro reúne, ao longo de anos de inves-
               tigação, a memória dos inúmeros monumentos espalhados por Portugal   A apresentação em Paris assumiu um caráter particularmente simbólico,
               dedicados aos emigrantes — símbolos da partida, do sacrifício, da coragem   já que é a cidade que acolhe cerca de um milhão de portugueses, tornan-
               e da construção de futuro. O historiador reconhece no livro “a humildade   do-se não só uma homenagem, mas também um reforço da identidade e
               e força estratégica da diáspora” por meio “do empreendedorismo, da so-  pertença da comunidade luso-francesa.
               lidariedade, da cultura e língua portuguesa nos quatro cantos do mundo”.   ‘Monumentos ao Emigrante’ não é apenas um livro: é um tributo à cora-
                                                                       gem de quem partiu, um gesto de reconhecimento e uma obra que co-
               Em parceria com Luís Carvalhido, que viajou pelo país para captar foto-
               graficamente cada monumento, o autor conseguiu reunir um conjunto de   necta gerações, locais e destinos, transformando cada monumento numa
                                                                       peça viva da história da emigração portuguesa.







































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