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REPORTAGEM REPORTAGEM
REVISTA SIM: 18 ANOS DE
HISTÓRIAS, PAIXÃO E LIBERDADE
D ezoito anos não são, apenas, a maioridade. São, no caso da municação política, Ricardo Moura encontrou na Revista Sim
o regresso às origens. “Decidi sair da minha terra à procura de
Revista SIM, dezoito anos de teimosia, de afetos e de liber-
felicidade e encontrei na Revista Sim a oportunidade de voltar
dade. Uma revista que nasceu contra todas as previsões e
à minha essência: escrever livremente. Aqui, tive liberdade para
que se mantém, contra todas as probabilidades, não por ter
um grupo económico por trás, mas por ser um espaço onde
explorar projetos que realmente me motivam. Desde entrevis-
quem trabalha encontra liberdade, inspiração e crescimento
tas com figuras que marcaram a minha infância até reportagens
que me desafiam como jornalista, sinto-me privilegiado por po-
pessoal e profissional.
O que mantém vivo um projeto assim? A reportagem que se
brir histórias únicas.”
segue não é feita de números ou de estratégias de mercado. É
Para Ricardo, a revista foi uma confirmação: “Permitiu-me per-
feita de vozes. As vozes de alguns daqueles que, dentro da reda- der fazer o que sempre quis: olhar as pessoas nos olhos e desco-
ção, transformam o trabalho numa “curtição” e a amizade num ceber que valeu a pena escolher comunicação social, mesmo
motor. sem garantias, e que escrever é uma forma de organizar pensa-
mentos, emoções e experiências. Nos últimos meses, o conteú-
O Nascimento: Um Salto de Fé (e de Scanner) do evoluiu muito, mostrando que a revista é mais do que publici-
dade: é um espaço de verdadeira narrativa e inspiração.”
Tudo começou com um projeto nascido da necessidade e de
uma amizade sólida. Pedro, mais conhecido por Tosta, o desig- E a tal felicidade que procurava? “Quanto à felicidade, encontrei
ner, recorda os primórdios: “Quando começámos, o Carlos tinha apenas pingos dela. Mas aprendi que altos e baixos fazem parte
acabado de sair dos quadros de um jornal diário, onde trabalhou da vida, e que, mesmo com uma infância sem muitas oportuni-
desde muito cedo, falou comigo. Foi aquela fase em que ele dades, é possível crescer, desabrochar e criar histórias que vale
queria mesmo avançar com a revista e foi tudo muito rápido, a pena contar.”
aconteceu em pouco mais de um mês”. Para o Pedro, a SIM foi
também um salto profissional. “Na verdade, eu nem era desig- O ‘Boss Amigo’: O Pilar e a Missão
ner. Era operador de scanner. Por isso, a Revista SIM acabou por
ser também o meu salto para outra área. E ainda bem.” Hoje, o No centro desta teia de afetos e talentos está Carlos, o diretor, a
seu foco é a beleza gráfica contra-relógio! quem alguns chamam de “Boss”. Como se sente a ser responsá-
vel por tanta satisfação? “Muito confortável. Não podia ter me-
Olha o caso desta edição: no domingo ainda tinha 60% por fazer. lhor. Nada paga isso, nem dinheiro: é do coração.”
Hoje é quinta-feira, e de manhã já estava na gráfica. (…) E eu até
pensei para comigo: fonix, estou uma máquina! O Cristiano Ro- O caminho até aqui, porém, não foi consensual para todos. An-
naldo que ponha os olhos em mim.” tes de lançar a revista, Mesquita Machado, então presidente da
Câmara Municipal de Braga, que o tentou dissuadir de sair do
O Ambiente: Não É um Trabalho, É um “Passatempo” “Correio do Minho”. O aviso foi direto: “Ó Carlos, isso de abrir
uma revistazinha… não dura dois meses.” Com a mesma teimo-
Se o design é a pele da revista, o ambiente é a sua alma. Ausra, sia que viria a sustentar 18 anos de projeto: “Na revista numero
que entrou com 24 anos e agora quase 42, define-o assim: “Nos 100 o senhor presidente concede-me uma entrevista exclusiva
anos que passei na revista não me posso lembrar de nenhum dia e será a nossa capa.” E assim foi, o presidente lembrava-se bem
Eva Pereira de trabalho, o trabalho foi sempre um passatempo (umas vezes desse dia, deu a entrevista e foi capa”, o “Boss” não sorriu com ar
mais fixe, outras menos), mas sempre mais diversão do que tra- vitorioso. Os outros… não garantem nada.
balho em si.”
O seu motor? “Os colegas de trabalho, os leitores e, claro, eu
Esta não-rotina é partilhada por Marta Caldeira, editora da re- próprio. Sou um homem de princípios, tento sempre fazer o me-
vista, para quem “trabalhar aqui tem sido superiormente bom”. lhor, ser amigo e conciliador, tenho sempre uma palavra amiga e
O segredo? “Na Revista SIM existe uma enorme liberdade. Li- sei agradecer.”
berdade de trabalho, de expressão, de criatividade, de inovação,
num nível que, para mim, era impensável. (…) Eu estava habitua- 18 anos depois
da a trabalhar num ambiente de jogos de poder e isso era extre-
mamente extenuante. Aqui, não. Aqui tenho, de facto, liberdade É uma redação sem medo. Um lugar onde a crónica pessoal e
e, mais do que isso, sinto, acima de tudo, que as minhas ideias a reportagem têm o mesmo valor, e onde o jornalismo é vivido
são acolhidas e respeitadas (…) e... há glamour, companheirismo, como um ato de liberdade e não como um formato. É isso que
amizade verdadeira. E isso tem sido… deslumbrante.” faz da Revista SIM um espaço único. Em jeito de conclusão de-
zoito anos depois, a Revista Sim é mais do que uma publicação.
Reconexões e Novas Paixões É uma casa. Uma casa onde se brinca com o design até à hora de
fecho, onde se redescobre a paixão de escrever, onde se reen-
A revista tem também o poder de reacender chamas. Patrícia contram essências e onde um “boss” tem como missão manter
Sousa, colaboradora confessa: “Desapaixonei-me pela profissão a felicidade da sua equipa. É um projeto que vive da publicida-
há muito tempo, e só mesmo a Marta conseguiu fazer-me vol- de, mas que sobrevive graças a algo muito mais raro e precioso:
tar a escrever notícias.” Encontrou um novo fôlego numa área a um “sim” coletivo à amizade, à liberdade e à crença de que o
profundamente pessoal: as crónicas sobre o luto. “Para mim, faz jornalismo, feito com alma, pode mesmo ser… deslumbrante.
todo sentido trabalhar nesta temática, porque infelizmente ain-
da não existe educação suficiente sobre o luto, e é urgente.” E, A mensagem final de Carlos é: “Espero ver-vos aqui no próxi-
aos poucos, redescobriu a paixão pelo jornalismo. mo ano, mantendo a alegria, o entusiasmo e a felicidade.”
A Essência Recuperada: A Viagem do Ricardo Moura Sim, esperamos todos.
De Montalegre para Braga, numa jornada de 25 anos em co-
06 DEZEMBRO · 2025 #SIMatuaREVISTA

