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EDITORIAL FICHA
H á qualquer coisa de verdadeiramente bizarro na nossa contemporaneidade. Somos TÉCNICA
AGIR É PRECISO!
tecnologicamente avançados, com robôs a fazer quase tudo por nós. A Inteligência Ar-
tificial, que na vida prática ainda só deu os primeiros passos, promete uma ‘revolução’
DIREÇÃO:
em todas as esferas da sociedade.
Carlos de Freitas Pereira
961 791 966
A vizinha Espanha acaba de avançar com uma nova legislação laboral com menos ho-
geral@revistasim.pt
ras de trabalho para que as pessoas tenham mais tempo livre para si e para os seus. E o
EDITORA:
tempo, qual diamante bruto, é, de fato, uma das maiores preciosidades da nossa atua-
martacaldeira@revistasim.pt
lidade, onde a espécie humana vai sobrevivendo às pressões e exaustões do dia a dia
até chegarem as famigeradas férias – que, por uma questão de economia, se revelam,
FOTOGRAFIA:
Wapa - Wide Angle Photographic Agency
muitas vezes, mais uma jornada extra para a fadiga em vez de servirem para o descanso Marta Amaral Caldeira
e o relaxamento físico e, sobretudo, mental. DESIGN:
Tosta Design Studio
Vivemos permanentemente a correr. Pior: perdemos completamente a noção do sen- pedro.tosta@gmail.com
tido da vida. Que falta fazemos realmente neste mundo? Qual a nossa missão? A razão ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS:
“A liberdade, na esteira da da nossa existência? O que nos move? Será que há ainda alguma coisa que nos faça Aušra de Araújo
ausradearaujo@gmail.com
guerra, propagou o deserto, a parar? 961 791 969
estranheza absoluta perante COMUNICAÇÃO & MARKETING:
O que me deixa perplexa mesmo é ver como esta humanidade contemporânea pouco LC Design - Marketing Agency
o outrem (...). Estamos assim ou nada tem de humano. É a época do individualismo puro, assoberbado, que toma
no extremo do deserto; já conta de tudo e de todos num umbiguismo nunca visto. Uma época sem afetos, sem GESTÃO JURÍDICA
Andreia F. Martins
atomizado e separado, cada o cultivo de verdadeiras relações de amizade e de vizinhança, sem comoção. Gilles Li-
povetsky denomina-a ‘A Era do Vazio’ (título de uma das suas obras com ensaios sobre IMPRESSÃO:
um de nós se torna agente Viana & Dias
o individualismo contemporâneo). Corroboro. Taxativamente. Mas é preciso ler para Veiga do Inso
ativo do deserto, estende-o e 4734-908 Vila de Prado
perceber melhor.
aprofunda-o, incapaz que é COLABORADORES:
de ‘viver’ o Outro”. Apesar da sobredosagem informativa em que vivemos submersos, eu, todavia, não Amélia Costa, Ana Raquel Veloso, Arnaldo
posso ficar indiferente quando, em plena época contemporânea e de tão grandiosos Pires, Cândida Pinto, João Nuno Azambuja,
Luísa Rodrigues, Maria Helena, Miguel Marote
Gilles Lipovetsky, avanços tecnológicos, com carros voadores e viagens ao espaço, existem concomitan- Henriques, Mariana Briote, Paula Viana, Patrícia
Sousa, Raquel Martins, Ricardo Moura, Sónia
A Era do Vazio temente guerras no mundo, crianças que morrem e todos assistimos a isto, sem reagir, Vaz
confortavelmente sentados no sofá, como se não fosse real. Não posso esquecer que
só em janeiro deste novo ano de 2025, em Portugal, cinco mulheres foram assassina- COLABORAÇÃO INSTITUCIONAL:
Casa das Artes (Famalicão), Centro Cultural
das - a mais jovem de 17 anos e a mais velha de 72. No ano passado foram 25 e sempre Vila Flor (Guimarães), Pavilhão Multiusos
envolvidas em contexto de violência doméstica. Guimarães), Theatro Circo (Braga)
PROPRIEDADE (SEDE) E SEDE DO EDITOR:
Acaba de ser publicado um relatório, resultado de um inquérito realizado já este ano Frases Soltas, Unip. Lda.
pelo movimento Missão Escola Pública, que revela uma realidade alarmante sobre a NIF: 508296889
CEO: Carlos Pereira
violência na escola e com cerca de 60% dos professores a indicar terem sido vítimas de Propriedade: Carlos Pereira (100%)
agressões e bullying por parte dos seus alunos e dos próprios pais dos alunos. Destas Av. da Liberdade, nº 642,
sala 9, 4710-249 BRAGA
situações apenas 18% das ocorrências foram denunciadas às autoridades. Nº do Registo na ERC – 125311
Horário 8.30-13.00 14.30-17.30
Acredito que é pela Educação e pela Cultura que se pode fazer a diferença. Mas não SEDE DE REDAÇÃO:
podemos ficar ‘impávidos e serenos’ a olhar para as notícias e continuar indiferentes. Av. da Liberdade, nº 642, sala 9
Se existe violência nas escolas, faça-se algo, então, para terminar com isso. Exigem-se 4710-249 BRAGA
políticas interventivas e corretivas. Os professores e alunos agredidos não podem con-
tinuar a conviver com os agressores, tal como as vítimas de violência doméstica não DELEGAÇÃO LISBOA:
Rua do Sol ao Rato 27 R/C DT.
podem continuar a sujeitar-se a qualquer tipo de agressão. Mas a nós, amigos, fami- 1250-261 Lisboa
liares, vizinhos, colegas, diretores, que sabemos do que se passa, exige-se ação. Não DELEGAÇÃO GUIMARÃES:
podemos continuar a compactuar com este nível de violência. Porque se não agirmos Avenida Dom João IV, 36-6 L.
Marta Amaral agora, já, hoje, acionando os meios possíveis para combater este flagelo e contatando 4814-501 Guimarães
as autoridades porque se tratam de crimes públicos, que a todos dizem respeito, então
Caldeira a perda que se equaciona é inestimável. TIRAGEM MÉDIA:
10.000 Exemplares
Eu sonho com um mundo evoluído, certamente. Mas que importa ir ao espaço e ter PERIODICIDADE:
robôs e leis para nos deixarem mais tempo livre se a violência nos nossos dias continua Mensal
a imperar? Estatuto Editorial disponível em www.revistasim.pt.
Que sociedade queremos afinal? Que futuro é que realmente desejamos?
Há que ter esperança, sim. Mas não basta. É preciso, acima de tudo, agir.
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Revista SIM são
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06 FEVEREIRO · 2025 #SIMatuaREVISTA