SAÚDE

DESEJOS DE FIM D’ANO

Com a entrada do mês de Dezembro estará chegada a altura de começar a preparar o Novo Ano. Habitualmente formulamos desejos na noite de Passagem do Ano esperando que estes se concretizem. Coisas como: saúde, paz, amor, um novo emprego, perder peso, deixar de fumar, fazer mais exercício, constam na lista dos desejos mais solicitados.
Mas a verdade é que muitos destes desejos são formulados ano após ano sem que nunca se concretizem. Por que razão pedimos algo todos os anos de forma repetida? Será que nos detemos para pensar no motivo pelo qual o fazemos?
Quiçá se colocarmos uma pergunta no final de cada desejo consigamos ter algumas respostas. A seguir a cada desejo perguntemo-nos: O que estou disposto ou disposta a fazer para o concretizar?
Se tentarmos perceber o que estamos dispostos a fazer talvez isso nos mostre o motivo pelo qual nos anos anteriores esses mesmos desejos não se realizaram. A verdade é que a concretização de muitos dos nossos desejos depende unicamente da nossa motivação. Se não tivermos vontade de fazer algo diferente, se considerarmos que depende de outros, da sorte ou do universo, talvez estejamos a criar o cenário para no ano seguinte estarmos novamente a dizer as mesmas palavras enquanto tocam as badaladas…
O facto é que na maioria das vezes nos alienamos do nosso poder para transformar a nossa vida e torná-la naquilo que queiramos que seja. Até aqui estaria tudo bem, pois seria uma decisão nossa. A questão surge quando nos queixamos da vida que temos e manifestamos o desejo de ter uma diferente.
A maioria de nós vive com um medo assustador da mudança, no entanto deseja-a. Como é óbvio este paradoxo causa muitos conflitos internos, já para não falar do sofrimento que pode estar associado. Sentir a necessidade interna de transformação é um sinal de que a desejamos e nos sentimos preparados para ela. No entanto, tudo fazer para permanecer da forma que estamos torna-se incoerente para o nosso organismo, e muitas vezes daí surge a ansiedade, a tristeza, a raiva, a frustração…
As nossas emoções podem ser o indicador de que o caminho que escolhemos para nós poderá não estar a ser o mais saudável. Uma emoção é informação que o corpo nos dá para que saibamos o que em nós se passa. Se fazemos algo que não é incoerente, é natural que o nosso corpo se manifeste de forma menos agradável para que lhe darmos atenção. Quando nada fazemos e tentamos camuflar os sinais, o corpo terá que fazer soar mais alto o seu descontentamento.
A vida é o conjunto das decisões que tomamos. Se decidimos não ouvir os sinais que o nosso corpo nos dá, dificilmente conseguiremos ter uma boa vida, saudável e feliz. Talvez para todos aqueles que desejam ter Saúde, um bom passo para a alcançar (ou manter) talvez seja mesmo começar a ouvir o que o nosso corpo nos está a dizer.
A coerência entre o pensar e o agir dá-nos coerência no sentir. Estes três verbos estão associados quando falamos de comportamento humano: Pensar, Agir e Sentir, e da coerência entre eles surge o nosso bem-estar.
Com base nisto, para este próximo ano de 2019 talvez possamos formular desejos um pouco diferentes. Em vez de nos focarmos no objetivo que tal focarmo-nos no caminho que temos de percorrer para o alcançar?
Como seria se no 31 de Dezembro quando as badaladas tocasse nós pedíssemos:
- Clareza emocional para tomar as decisões mais saudáveis e adequadas para nós;
- Motivação para diariamente darmos pequenos passos rumo à nossa melhor versão;
- Autoconhecimento para saber como somos e nos podermos amar incondicionalmente;
- Autocontrolo para não sermos vítimas das nossas próprias ações;
- Autoconsciência para poder criar a nossa realidade e viver tal como desejamos.
E como seria ainda se em vez de pedir, prometêssemos? Por exemplo:
- Este ano prometo respeitar-me e unicamente tomar decisões que promovam o meu bem-estar.
- Neste próximo ano prometo que tudo farei para construir a vida que quero ter.
- Neste Novo Ano que inicia prometo conhecer-me melhor e aprender a fazer uma melhor gestão emocional.

Se conseguíssemos pôr tudo isto em prática, como estaríamos no final de 2019? O que teríamos alcançado? Nessa altura, findo mais um ano, se nos tivéssemos dado tudo o que nos prometemos no ano anterior, quereríamos nós pedir algo mais ao Novo Ano? 


Raquel Veloso 
Nós & a Família
Consultoria e Apoio à Saúde

PONTO DE PARTIDA

Reconhecer onde queremos chegar ou o que queremos alcançar é algo que conseguimos fazer com relativa facilidade. Todos determinamos objetivos, sonhamos com vitórias ou abraçamos novos desafios. Estas ações transportam-nos para um lugar onde nos é possível visionar o ponto de chegada, a concretização daquilo que almejamos. No entanto, o que determina a concretização dos nossos sonhos, objetivos ou desafios é o ponto de partida.

Saber onde queremos chegar é importantíssimo, no entanto saber de onde partimos é o que mais nos condiciona. Pode parecer estranho pensar desta forma, mas teremos que fazer o exercício de ir além de alguns conceitos pré-formatados que a nossa mente nos impõe.
Pensemos em algo que nos motiva, algo que queremos alcançar ou desejamos muito. Um novo emprego, uma relação, a concretização de um projeto, uma vida com mais amigos, viagens, … Qualquer coisa que queiramos mas que ainda não tenhamos ou sejamos.
Pensando nisso em concreto, vamos dar atenção às sensações que temos no corpo quando as imagens dessa conquista estão na nossa mente. Essa sensação é o ponto de partida e irá condicionar o decorrer de toda a experiência, inclusive o final.
E, a pergunta que agora faço é a seguinte: Alguma vez quando sonhou com algo que muito desejava sentiu medo? Pois…, aqui está um ponto de partida.
Quando quereremos algo e em simultâneo sentimos medo, que instrução estaremos nós a dar ao nosso corpo? Entendamos também que o cérebro é um órgão que faz parte do corpo e, como tal, precisa da coerência do todo.
Qualquer dissonância detetada pelo corpo precisa de imediato de ser resolvida. Embora as nossa palavras possam dizer: Quero muito isto, o que o corpo sente é medo. Ora, se determinada coisa nos amedronta, por que razão havemos nós de a querer na nossa vida? Na minha opinião tudo o que acontece a seguir é determinado pelo medo que sentimos, pois essa é a única motivação que o nosso corpo entende. Então, seguindo as instruções que as nossas emoções lhe deram, tudo fará para nos manter afastados disso que tanto nos amedronta.
Uma emoção é como um GPS que nos conduz. Podemos encarar a emoção como um mecanismo interno que permite que a energia se movimente para onde nós queremos. A própria origem da palavra nos diz isso. Emoção deriva do latim emotione que quer dizer movimento, ação de mover. Uma emoção pode então também ser encarada como energia em movimento que tem a função de nos orientar na tomada de decisões.
Então, o que entenderá o nosso corpo e que ação tomará:
- Quando sei que não estou bem num local mas tenho medo da mudança.
- Quando quero muito concretizar um projeto mas tenho medo de falhar.
- Quando envio CVs mas tenho medo de não ser suficientemente boa para as funções.
- Quando quero libertar-me de um casamento infeliz mas tenho medo de estar só.
- Quando digo que quero amor e uma relação mas tenho medo de sofrer.
- Quando quero fazer algo mas tenho medo das críticas e julgamentos dos outros.
- …
O que entenderá o meu corpo quando digo que quero algo mas sinto medo? O corpo assume como instrução a intenção determinada pela emoção. Isto é, se sinto medo, a instrução que ele entende é: protege-te e afasta-te do que te amedronta.
E então as palavras não fazem qualquer efeito? As palavras podem fazer muito efeito nas nossas vidas, até magia quando necessário. No entanto, numa situação de conflito interno, quando a palavra não está alinhada com a emoção o corpo não a considera como importante ou prioritária.
O que aqui acontece é que conscientemente dizemos que queremos e, a nível não consciente ou subconsciente, dizemos: tenho medo disso, por isso quero que fique longe de mim. Neste confronto e conflito, o consciente sai sempre a perder. Por essa razão, nos é tão difícil concretizar algumas coisas que achamos que muito queremos, mas das quais temos medo. Como o medo é o ponto de partida, o resultado está condicionado por esta emoção.
Então, o que fazer quando os nossos mundos conscientes e não conscientes estão em conflito e a dar instruções diferentes? A primeira coisa é perceber o que esta situação nos está a dizer sobre nós. Qualquer emoção contém informação que nos pode ser útil, inclusive o medo. Tornarmos consciente o nosso medo é o primeiro passo para alterar o ponto de partida.
Assumamos que temos medo, depois percebamos como o sentimos e que informação nos dá. Ao trazermos luz aos nossos medos deixamos de os ter escondidos nas catacumbas sombrias do nosso inconsciente. Claro que para isso temos que os sentir e não fingir que eles não existem.
Tudo na vida tem um lado luz e um lado sombra. Um medo iluminado pode também revelar uma luz que há em nós. Se temos medo de sofrer por amor, quiçá isso revele a nossa imensa capacidade para amar. Se temos medo de confiar, talvez isso nos mostre a retidão dos nossos valores e de como os honramos. Se temos medo de arriscar num projeto, quiçá isso nos revele as imensas competências que temos e a vontade que em nós existe de concretizar algo.
Como ponto de partida podemos então tirar os nossos medos da sombra e assim revelar ao mundo a luz que há em nós. Iniciando desta forma tenho a certeza de que gostaremos do ponto de chegada. 


Raquel Veloso 
Nós & a Família
Consultoria e Apoio à Saúde

CONFIANÇA… SIM OU NÃO?

Parecia uma coisa e depois revelou-se outra; Traiu a minha confiança; Nunca imaginei que ela fosse assim; Ele enganou-me bem…

Frases como estas já todos ouvimos e é caso para nos perguntarmos: Por que razão nos deixamos enganar? Na verdade ninguém nos engana e, por isso, seria conveniente fazermo-nos outra pergunta: Por que razão nos engamos a nós próprios? Para mim a resposta a esta questão é mais simples e apenas uma: Porque não sabemos confiar! Deixamo-nos enganar porque não sabemos confiar e isso revela muito sobre a forma como sentimos e vivemos a nossa vida.
A confiança gera-se na fé, no amor-próprio, na empatia, ou seja, na capacidade que temos para entender o mundo e os outros. A confiança constrói-se e alimenta-se de boas decisões tomadas ao longo da vida, por isso é tão importante o autoconhecimento neste processo.
Confiar é simplesmente uma escolha binária, ou sim, ou não. O importante aqui é entender os critérios que nos levam a fazer essa escolha. Isso sim poderá revelar muito sobre nós e ajudar-nos a perceber melhor a forma como avaliamos as nossas relações e tomamos as nossas decisões.
Ao longo da minha vida, fui tentando perceber por que motivo confiava em determinadas pessoas e por que razão havia outras que não me inspiravam a mínima confiança. Este processo de tentar perceber os porquês desta questão acabou por se tornar muito revelador relativamente a partes minhas que desconhecia. Percebi também que nem todos valorizamos o mesmo, somos diferentes e cada um de nós tem a sua própria hierarquia de valores. A questão da confiança no outro é um reflexo daquilo que somos e da confiança que temos em nós próprios, daí ser um assunto pessoal.
No entanto, e não obstante este fator tão pessoal, haverá certamente algumas coisas que todos podemos ter em comum relativamente a este assunto. Como não me cabe a mim decidir que coisas são essas, decidi partilhar convosco a forma como eu sinto a questão da confiança no outro. Caberá a cada um de vós ver se algo ressoa no vosso interior e iniciar um processo de autoconhecimento relativamente a este assunto. Acreditem que a confiança que temos no outro revela sempre muito sobre nós.
Pois bem, nesta procura incessante de resposta sobre a minha relação com os outros e sobre a temática da confiança, partilho convosco as minhas aprendizagens pessoais. Sintetizei-as em 10 pontos para que a leitura seja mais fácil e apelativa.
1. A confiança é binária, ou se tem ou não se tem. Não é possível confiar em alguém a 99%, isto para mim significa que há algo naquela pessoa que não é de confiança, aquele 1% de não confiança estará sempre presente.
2. Confiar é um ato de amor-próprio. Para sentir confiança dentro de mim preciso de me amar, de confiar na magnitude do meu ser, no meu lugar no Universo. Preciso de confiar e sentir que aquilo que sou é suficiente para que eu própria me ame.
3. A confiança exige autoconhecimento. Precisamos de saber quem e como somos, o que valorizamos, como tomamos decisões para que possamos ser dignos de confiança. Não é possível confiar em alguém que não se conhece, pois nem ele próprio sabe quem é.
4. Só existe confiança com autenticidade. A confiança não suporta jogos de “fazer de conta” apenas a autenticidade do ser. Qualquer sinal de incoerência ou falsidade é percecionado pelo nosso cérebro, mesmo de forma inconsciente, e isso gera uma sessação de desconforto em nós. Esse é um sinal de alerta que nós próprios emitimos e o nosso corpo sente como: cuidado, essa pessoa não é de confiança.
5. A confiança exige a totalidade do ser. A maioria das pessoas tem medo de mostrar o seu lado sombra, o seu lado lunar. Pois bem, ninguém vive apenas de luz e sol, ninguém pode ser autêntico apenas com essa metade. A perfeição em nós adquire-se quando aceitamos a totalidade do nosso ser: a luz e a sombra, o dia e a noite. É tão mais fácil confiar em alguém quando o conhecemos nesta totalidade.
6. A confiança torna-nos vulneráveis. A confiança é uma relação que se cria, é um ato de entrega e aceitação. Cada vez que nos entregamos a alguém com a nossa verdadeira essência, com a totalidade do nosso ser, sentimo-nos mais vulneráveis. No entanto, é precisamente isso que torna a relação especial e que nos permite criar esse laço sólido de confiança.
7. A confiança é um privilégio. Quando alguém na nossa presença é a sua versão mais autêntica isso é um verdadeiro privilégio. O mesmo acontece quando nós podemos ser apenas nós na presença de alguém. Uma relação como essa deverá ser cuidada com um carinho e dedicação muito especiais.
8. A confiança dá responsabilidade. Uma relação onde existe confiança é uma relação de muita responsabilidade. Isto não significa que haja expectativas que tenhamos que cumprir. No entanto, significa que a empatia deverá ser a pedra basilar da relação. Para mim a verdadeira empatia exige três ações: entender o outro, sentir o outro e agir da melhor forma para ambas as partes.
9. A confiança é uma prenda que nós próprios nos damos. Confiar em alguém dá-nos prazer, segurança, satisfação. Quando decidimos expor-nos tal como somos, quando aceitamos alguém tal como é, sem quaisquer críticas, julgamentos ou juízos de valor, essa relação é um presente dos deuses que nós próprios nos oferecemos.
10. Confiar exige inteligência emocional. Só sendo a nossa melhor versão, a nossa versão mais autêntica, teremos a capacidade de sentir e decidir de forma inteligente o que é melhor para nós. Sendo a confiança uma decisão, é importante termos clareza e inteligência emocional para o sabermos fazer. 


Raquel Veloso 
Nós & a Família
Consultoria e Apoio à Saúde

RUMO À NOSSA MELHOR VERSÃO

Recentemente, durante a conversa com uma grande amiga, esta perguntava-me: Diz-me o que é que eu posso fazer para mudar? Para me sentir melhor?
O contexto dela será certamente o mesmo de muitos de nós. Sente-se cansada de ser como é pois acredita que pode ser muito mais. Nestas fases, que todos a dada altura vivemos, o que estamos a Ser deixa de ser suficiente para nós, precisamos de Ser mais e melhores, por nós e para nós, não para os outros.
Nestas alturas, em que o desconforto e o desassossego se instalam nas nossas vidas, a transformação mais do que necessária torna-se imperativa. Não é mais possível permanecer da mesma forma, para sobreviver é preciso reinventarmo-nos numa melhor versão de nós mesmos.
Não sou grande apologista de conselhos ou dicas, acho sempre que o que pode servir a uns, não servirá certamente para outros. Somos seres únicos e tudo o que escolhemos deverá estar de acordo com o que somos. No entanto, há coisas com as quais quase todos concordamos, da mesma forma que há coisas que nos fazem bem a todos.
Estas dicas são apenas ideias que podemos por em prática, cada um à sua maneira, ao seu ritmo e de acordo com as suas vontades. Isso é o que dá cor à vida, o facto de sermos diferentes. Mas, o que que dá valor à vida é o facto de cada um de nós fazer o esforço contínuo e diário para se tornar um ser humano feliz.
Aqui ficam as minhas dicas que acabam por ser a resposta que dei à minha amiga:
1. Sentir o que somos
Mais do que saber quem somos ou perceber como somos, pois isto são ações da nossa mente, é importante sentir o que somos. Para que isso aconteça não temos que pensar ou fazer grandes investigações sobre nós. Para sentir o que somos temos apenas que parar, dedicar atenção às nossas emoções e nada pensar…
2. Parar de interpretar
A vida não precisa de ser interpretada, a vida necessita de ser vivida! Não podemos querer encontrar explicações para tudo sob pena de, com tanta explicação, se perderem as sensações e as emoções.
As interpretações são âncoras que nos prendem ao passado. São dadas com base em factos do passado, por isso nunca poderão ajudar a compreender o presente muito menos o futuro.
3. Parar de explicar
Vivemos num tempo em que tudo tem que ter uma explicação. Pior, vivemos num tempo em que temos que dar explicações para tudo. Há coisas que simplesmente são, sem qualquer explicação, há coisas que sentimos e queremos simplesmente porque sim. Precisamos de ter a liberdade de agir de forma leve e espontânea sem ter a mente impregnada com a necessidade de dar explicações, a nós e aos outros.
4. Fazer as perguntas certas
Confúcio dizia que o importante não era a resposta, mas sim a pergunta. Uma boa pergunta revela-nos muito sobre as questões que os preocupam. A forma como formulamos a pergunta e onde pomos a tónica, revela sempre onde reside a questão a ser resolvida. Saber fazer perguntas é uma arte pois na pergunta encontramos a resposta...
5. Perceber o peso que carregamos
Achamos que somos assim e pronto. A verdade é que somos assim porque nos fomos construindo dessa forma. A família, as tradições, as expectativas dos pais, as convicções limitadoras da família, os afetos que nela se vivenciam, os traumas, as alegrias, as amarguras… Tudo isto são aprendizagens que nos condicionam.
É importante perceber o que é nosso genuinamente e tudo aquilo que nos foi transmitido. Só aí podemos decidir em consciência se é algo que queiramos carregar ao longo das nossas vidas…
6. Ter consciência de como tratamos os outros e do que isso revela sobre nós
A forma como tratamos os outros revela muito sobre nós. Aquilo que pensamos que eles são, a forma como julgamos os seus atos, as atitudes que temos para com eles, revelam os valores que nos movem, as experiências que vivemos, o amor-próprio que desenvolvemos… Tal como diz a frase: Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.
7. Perceber que desejos estão escondidos nos nossos medos
Acredito que cada medo esconde um desejo. Se fizermos um percurso através dos nossos medos acabaremos por chegar a algo que muito desejamos. Para perceber que medos temos e que desejos escondemos, o ideal é fazermo-nos perguntas de forma criativa. Podemos sempre perguntar-nos: Como seria a minha vida se eu não tivesse este medo? O que sentiria? Que experiências viveria? Talvez assim descubramos aquele desejo que nos tentamos esconder…
Estas são alguns passos que todos podemos dar rumo a uma melhor versão de nós mesmos. O importante é mesmo dar passos e começar a andar pois o caminho faz-se fazendo. 


Raquel Veloso 
Nós & a Família
Consultoria e Apoio à Saúde

QUANDO A PESSOA ERRADA SOMOS NÓS

Um destes dias vi uma publicação de alguém no Facebook que dizia: Às vezes somos bons demais com as pessoas erradas. Este tipo de publicação desagrada-me sempre pois sinto-o como uma vulnerável exposição da pessoa que o publica. Mas este caso para mim foi um pouco mais longe. A publicação era acompanhada de um comentário, a meu ver muito íntimo. A pessoa que o partilhou acrescentou as seguintes palavras: Tantas vezes e o pior é que não aprendemos. Confesso que já nem liguei ao emogi triste com que terminou a frase.
Uma das coisas que mais me desagrada quando navego pelo Facebook é ver as pessoas exporem-se e a desvalorizarem-se de forma explícita. Na verdade, a publicação que anteriormente referi é precisamente isso. O desconforto que senti quando a li impeliu-me de imediato a escrever. Pareceu-me importante refletir sobre o que estas duas frases poderão estar a querer dizer sobre quem as publica.
Primeiro, seria importante perceber o que é ser bom e o que é ser errado.
Será que uma pessoa que se engana sucessivamente relativamente aos outros estará a ser boa? Será que tanto erro fará do seu comportamento algo certo? Será que o universo não lhe coloca no caminho estas pessoas que apelida de erradas para que possa fazer alguma aprendizagem, e assim aprender a acertar na escolha de melhores companhias?
Se uma criança demora anos para aprender a fazer contas de somar ou a andar de bicicleta considera-se que poderá ter algum tipo de problema de aprendizagem. No entanto, se na idade adulta não conseguimos aprender a escolher as pessoas que queremos que nos acompanhem e passamos a vida a fazer escolhas “erradas”, dizemos que somos excessivamente bons. Nem sequer consideramos a hipótese de podermos estar a ser maus alunos da Vida e esta, com a sua imensa sabedoria, nos poder estar a ajudar. Como? Colocando essas pessoas no nosso caminho para que tenhamos consciência do motivo pelo qual fazemos as escolhas erradas e depois para que aprendamos a fazer escolhas certas. E enquanto não aprendermos a lição, as “pessoas erradas” continuarão a aparecer…
Segundo, temos sempre a arrogância de dizer que nós somos bons e os outros não.
Este pensamento carregado de críticas, julgamentos e juízos de valor poderá por si só explicar por que razão essas pessoas se “enganam” tanto relativamente às escolhas que fazem.
Nunca com pensamentos ou palavras críticas e julgadoras nos podemos conectar com o outro. E sem conexão não há verdadeira interação. Quando vivemos a vida desta forma nunca estamos no momento presente e este é o único momento em que conseguimos ver com alguma clareza. Se a nossa forma de estar na vida é criticar e julgar, quando estamos com o outro nunca o poderemos ver nem sentir.
Quando só vemos coisas más no outro, isto acontece porque de alguma forma este defraudou as nossas expectativas. Quando nos relacionamos com alguém acreditando nas histórias que construímos dele, obviamente que ele nunca será como imaginamos e queríamos que fosse. Mas tarde ou mais cedo perceberemos isso… normalmente da pior forma.
Nessa altura, quando finalmente nos apercebemos que ele não satisfaz as nossas expectativas, frustramos. No nosso íntimo conhecemos a verdade mas, por ego, não a queremos aceitar. Assim, elevamo-nos à condição de mártir e autodenominamo-nos como “Boas pessoas”. Como a culpa não desaparece só com pensamentos de mártir temos que fazer algo para nos sentirmos melhor. Como continuamos sem assumir a responsabilidade pelas escolhas que fizemos, sem que nos apercebamos, as palavras que publicamos são como uma confissão de culpa.
As publicações como esta surgem então na esperança de encontrar reforço positivo dos “amigos” virtuais para nos alimentar o ego. E dessa forma comunicamos ao mundo que não sabemos fazer escolhas e não estamos dispostos a aprender, atraindo assim mais pessoas “erradas” para a nossa vida…
Terceiro, estas palavras revelam um auto-boicote e uma fragilidade emocional imensa.
Esta pessoa não está à espera de alguém que a ame. Esta pessoa que está a mendigar amor está a dizer: Tenham pena de mim porque eu até estou disposta a acolher “pessoas erradas”.
Esta falta de amor-próprio nunca é atraente ou cativante, bem pelo contrário. Ninguém equilibrado e com uma boa dose de amor-próprio diz: Uau! Aqui está uma pessoa que passa a vida a escolher as pessoas erradas e nunca aprende. Fascinante, quero conhecê-la! Só aqueles que já se consideram “a pessoa errada” poderão manifestar esse interesse, pois saberão que serão os escolhidos.
Não perceber como as palavras que proferimos nos condicionam, é desperdiçar o enorme poder que a linguagem tem nas nossas vidas.
Cada pensamento que temos, cada palavra que dizemos, revela algo sobre nós. Através deles temos uma excelente oportunidade para nos conhecermos e perceber o que o nosso Eu mais íntimo revela sobre nós.
Esse trabalho de Autoconhecimento é fundamental para sabermos quem e como somos. É preciso que nos conheçamos para que possamos ter consciência do nosso papel neste mundo e do contributo que estamos cá para dar. Assim, alcançando Autoconsciência estaremos no caminho do tão desejado Autocontrolo. Isso sim permitir-nos-á fazer as melhores escolhas para nós!
De nada adianta ficamos sentados no nosso lugar, com o telemóvel na mão, considerando o mundo à nossa volta um lugar hostil e esperando que os outros reconheçam o nosso valor. A perceção que temos de nós e do que valor temos é precisamente aquela que os outros vão reconhecer. Eles captam aquilo que nós sentimos e pensamos sobre nós próprios, não há como se enganarem.
E por último, seria importante percebermos que não estamos cá para ajudar os outros, estamos cá para nos ajudarmos a nós próprios a cumprir o objetivo da nossa existência. Ser Feliz é libertar-se da necessidade do outro para reconhecer o nosso valor. Quando nós não reconhecemos o nosso próprio valor, somos nós a pessoa errada… 


Raquel Veloso 
Nós & a Família
Consultoria e Apoio à Saúde

FAMÍLIAS TRADICIONAIS

Ao longo dos anos o conceito de Família foi-se transformando e adaptando aos tempos que correm. O que hoje é Família, há cem anos não o era certamente. O conceito tradicional de Família já não existe, simplesmente não é possível mantê-lo nos tempos atuais. A adaptação, mais do que necessária, é uma exigência imperativa para a sobrevivência da instituição Família.
Na verdade, se pensarmos bem, nem tudo é bom no conceito de Família Tradicional:
– Os pais não exprimiam as suas emoções, não abraçavam os seus filhos, não manifestavam o seu amor por eles. Antigamente não era hábito ouvir um pai dizer a um filho eu amo-te, o que se ouvia era eu dou-te tudo. O pai de antigamente era o ganha-pão, hoje em dia é aquele que tem que amar e dessa forma também ensinar aos seus filhos o que é o amor.
– As mães de antigamente trabalhavam menos fora de casa, e à partida havia mais disponibilidade para as crianças. No entanto, hoje há mais tempo de qualidade, tempo que as mães dedicam exclusivamente aos seus filhos. Hoje em dia, a mãe entrega-se, partilha-se, mostra-se como mulher e ser humano aos seus filhos, dando-lhes assim o exemplo daquilo que é ser adulto.
– As carreiras mudaram, hoje não é um curso que nos define. Antigamente a aspiração seria tirar um curso e ter um emprego seguro. Não se pensava se seríamos felizes a exercer a profissão que escolhemos, ponderava-se apenas a segurança da carreira, o estatuto, o dinheiro.
Hoje isso já não é assim. Os miúdos de hoje querem ser felizes a trabalhar. Na verdade, hoje podem ser o que quiserem, podem sonhar sem limites, aplicar os seus talentos e concretizar o que entenderem. Hoje há toda uma série de profissões que nunca imaginamos que pudessem existir, cada um pode ser feliz se seguir a sua paixão e tiver determinação.
– Antigamente os papéis familiares eram fixos, havia coisas de homens e pais, e por outro lado havia coisas que eram de mulher e de mãe. Hoje não há essa divisão rígida de tarefas, os pais dão banho aos meninos, fazem tranças às filhas e leem histórias. A mãe hoje é também aquilo que quer e pode ser, muitas vezes o ganha-pão, a educadora, a que acompanha o filho aos jogos de futebol. Hoje em dia os papéis dissolveram-se porque se adaptaram melhor aos temperamentos dos elementos do casal ou porque às vezes só há um dos progenitores em casa.
– O casamento hoje tem mais liberdade, antigamente era mais rígido e tudo tinha que ser para sempre. Se havia casos em que as coisas corriam bem durante ‘toda a vida’, muitos outras pessoas ficaram agrilhoadas a uma vida sem amor apenas por decisão contratual, conveniência, medo…
Hoje há mais diálogo, mais entendimento, mais procura de harmonia e bem-estar. Cada elemento assume-se como um ser humano com necessidades e em desenvolvimento, e o bem-estar de cada um é que determina o bem-estar do casal.
– O amor hoje também é mais livre, há uns anos atrás estava mais circunscrito a questões de estrato social, situação financeira, género. Hoje sinto os jovens menos preocupados com o que os outros vão pensar e mais orientados para a verdade do sentimento. Gostam porque gostam sem pensar se é certo ou errado, se devem ou não gostar, sem pensar no que os outros vão pensar. Esta liberdade acaba por libertá-los de pressões e expectativas: o casamento, os filhos, não são uma imposição mas o Amor é certamente uma condição para qualquer relação.
Claro está que estas novas gerações que abraçam a vida de uma forma mais honesta, acabam por trazer grandes desafios para a nossa sociedade.
Eles são uma geração nova sem referenciais. São educados por pais que tiveram famílias tradicionais, mas que hoje têm que manter uma família bem diferente daquela que tiveram, num mundo que também por si é diferente. O trabalho que estes jovens nos exigem é profundo e intenso. É um trabalho de redefinição do que é certo ou errado, de questionar valores instituídos, um verdadeiro exercício de conexão com as nossas emoções e um grande despertar de consciência.
Hoje não aceitamos o “sempre foi assim”, se isso nos fizer infelizes. A infelicidade hoje não é aceitável, muito menos se algo puder ser feito para o evitar. Atualmente somos mais ativos na procura daquilo que nos faz felizes, já não há tanta submissão a um destino ou às convenções sociais.
No entanto, e apesar destes progressos, precisamos ainda de mais fé no futuro e de ter menos expectativas. Devemos pensar menos no que achamos que queremos e devemos, para passarmos a ser mais genuínos e acreditar que o melhor para nós surgirá dessa atitude mais autêntica perante a vida.
Eu pessoalmente sinto que há uma imensidão de coisas que são melhores nos dias de hoje. Há mais diálogo, mais abertura mental para conversar, mais entendimento e aceitação. Hoje estamos todos mais disponíveis para questionar, transformar e implementar soluções para melhorar.
Hoje somos mais capazes de sentir as nossas emoções sem a tentação de as camuflar. A tristeza, a raiva, a alegria, são partes de nós e cada vez que as sentimos há informação sobre nós que nos está a ser dada. Com esta capacidade para sentir e aceitar as nossas emoções tornamo-nos mais empáticos, pois conseguimos também sentir o outro e compreendê-lo.
A verdadeira empatia não é só dizer eu entendo-te. Isso não é empatia pois na maioria das vezes a frase é: eu entendo-te mas no teu lugar…
Empatia não é dizer ao outro o que faríamos se estivéssemos no lugar dele, isso é o nosso ego a falar. A verdadeira empatia é entender o outro, senti-lo e agir como ele queria que agíssemos. A verdadeira empatia é um exercício ser treinado para que haja mestria.
E num mundo onde há Empatia, haverá sempre Compaixão que é a base do Amor e de qualquer relacionamento saudável. Podemos assim dizer que conhecendo e aceitando melhor as nossas emoções nos tornarmos seres mais empáticos, dessa forma conseguiremos fazer Famílias muito felizes e isso sim devia ser uma tradição a instituir! 


Raquel Veloso 
Nós & a Família
Consultoria e Apoio à Saúde

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