Regressar às aulas não é só voltar aos horários, aos testes e aos trabalhos de casa. Para milhares de crianças e jovens, significa também voltar à pressão, às expectativas e a todas as mudanças que fazem parte da vida escolar.
Em Braga, a saúde mental vai ganhar mais espaço dentro das escolas públicas durante o novo ano letivo, com o reforço de consultas gratuitas de Psicologia, rastreios e atividades dirigidas não apenas aos alunos, mas também às famílias e aos professores.
A autarquia prevê investir mais de 50 mil euros em materiais, testes psicotécnicos e psicométricos e outras ferramentas destinadas à rede municipal de técnicos especializados.
Psicologia gratuita e ferramentas para lidar com o stress
Uma das principais respostas será o NO STRESS Braga, que deverá chegar a mais de 600 alunos de 30 turmas do ensino básico.
Além dos rastreios de saúde mental, o programa trabalha competências socioemocionais e permite o acesso gratuito a consultas de Psicologia.
E a ideia não passa apenas por intervir quando alguma coisa não está bem. Pais, professores e outros profissionais serão também envolvidos em sessões dedicadas à parentalidade e à gestão do stress.
Sono, alimentação, trauma e futuro
Para os alunos entre o 5.º e o 12.º ano regressa o EquiliBragaMente, com temas muito próximos dos desafios que fazem parte do dia a dia dos jovens.
“Dormir é o teu superpoder!” chama a atenção para a importância do sono. “Espelho meu: quem decide sou eu” aborda as perturbações alimentares, enquanto “Histórias que marcam” trabalha questões relacionadas com trauma e luto.
Os alunos que estão prestes a terminar o ensino secundário também terão ações específicas para ajudar na transição para o ensino superior — uma fase que pode trazer tanta expectativa quanto ansiedade.
A arte também pode cuidar
Nem todo o apoio à saúde mental acontece num consultório.
O projeto Ponto de Fuga deverá envolver cerca de 200 crianças e jovens com doença mental em atividades como cerâmica, carpintaria, pintura, olaria, teatro e música.
Uma abordagem que leva o bem-estar para outros contextos e utiliza a expressão artística como ferramenta de inclusão.
E se fossem os alunos a melhorar a própria escola?
Também há novidades no Orçamento Participativo Escolar. A verba aumenta de 130 mil para 140 mil euros e permite que sejam os próprios estudantes a apresentar ideias, divulgá-las e votar nos projetos que gostariam de ver implementados.
Um dos exemplos da edição anterior foi o “Espaço Chill”, na EB 2/3 de Celeirós. A antiga sala do aluno ganhou zonas para descansar, ler e conviver, num espaço pensado também para proporcionar momentos longe dos ecrãs.
Na próxima edição, a iniciativa será alargada aos alunos do terceiro ciclo da Escola Secundária de Maximinos.
A sala de aula também pode ser a cidade
Outra das apostas passa por tirar algumas aprendizagens de dentro das quatro paredes.
O Guia dos Projetos Educativos reúne 597 propostas para diferentes níveis de ensino, distribuídas por áreas como saúde e bem-estar, ambiente, cultura, inclusão, alimentação, desporto, mobilidade, cidadania e desenvolvimento económico.
Há desde literacia financeira a mobilidade sustentável e proteção animal, com diferentes espaços e entidades da cidade envolvidos nas atividades.
Bibliotecas, equipamentos culturais, serviços municipais e espaços desportivos passam, assim, a fazer parte de uma ideia mais ampla de educação.
Uma escola que também ensina a estar bem
Entre consultas de Psicologia, educação emocional, arte, participação dos alunos e atividades espalhadas pela cidade, o novo ano letivo em Braga traz uma abordagem que vai além das notas.
Porque aprender continua a ser fundamental. Mas saber lidar com o stress, pedir ajuda, dormir melhor, participar nas decisões e encontrar espaços onde simplesmente se pode estar também faz parte de crescer.




