Há programas que se veem. E depois há aqueles em que se mete literalmente a mão na massa.
Nos próximos meses, o Circuito, Serviço Educativo Braga Media Arts, regressa ao gnration e ao Theatro Circo com uma programação que cruza arte, tecnologia, música, vídeo, natureza e programação. Há propostas para miúdos, famílias, professores, artistas e adultos curiosos, mesmo para quem nunca teve qualquer contacto com estas áreas.
A ideia é simples: experimentar primeiro e perceber depois.
E se o Auto-Tune fosse um instrumento?
A programação arranca a 5 de setembro, durante a Noite Branca de Braga, com uma experiência que promete juntar música e tecnologia de uma forma pouco convencional.
Entre as 10h30 e as 13h00, a Estação de Experimentação do gnration recebe o Grupo Coral do Auto-Tune, um coro improvisado onde a voz e o famoso efeito digital se tornam parte da brincadeira.
Não é preciso saber cantar, ter experiência musical ou sequer gostar de cantar em público. A partir dos três anos, todos podem participar, desde que os mais pequenos estejam acompanhados por um adulto.
A atividade é gratuita e não exige inscrição.
No mesmo dia, há ainda visitas orientadas às exposições do gnration, com quatro horários diferentes: 14h30, 15h30, 16h30 e 17h30. Duas das sessões terão interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
É também uma oportunidade para conhecer os trabalhos desenvolvidos nos Laboratórios de Verão, que ficam em exposição entre 4 e 19 de setembro.
Há programação para quem gosta de criar
O Circuito não fica pelas atividades de um dia.
A programação prolonga-se até dezembro e passa por áreas tão diferentes como vídeo, programação criativa, sustentabilidade, fotografia, animação, música e pensamento crítico.
A 19 de setembro, o CoderDojo regressa ao gnration para celebrar dez anos a aproximar crianças e jovens da programação. Entre os sete e os 17 anos, os participantes podem experimentar ferramentas digitais e criar pequenos projetos com a ajuda de mentores.
E não é preciso chegar já a saber programar. Aliás, é precisamente para quem quer começar a descobrir este universo.
Em outubro, a programação vira-se para a relação entre arte e natureza. No dia 10, a masterclass “EDEN — Ética e durabilidade para uma ecologia da natureza” propõe pensar sobre sustentabilidade e sobre a forma como os artistas podem criar tendo em conta materiais, recursos e impacto ambiental.
Uma semana depois, a 17 de outubro, são os mais novos que entram nesta conversa através da oficina “A arte é um fenómeno — Adesivos botânicos”.
Folhas, flores, cores e texturas transformam-se em matéria-prima para criar novas composições. Uma atividade para miúdos a partir dos seis anos, onde a natureza acaba por ser também parte da obra.
Para quem prefere uma câmara a um pincel
Uma das novidades desta edição é o Clube de Vídeo, que decorre entre outubro e dezembro.
A proposta é aberta à comunidade e não é preciso ser artista, estudante ou profissional da área. Basta ter vontade de experimentar o vídeo e descobrir o que pode acontecer quando a imagem deixa de ser apenas aquilo que gravamos com o telemóvel.
Ao longo das sessões, os participantes vão explorar diferentes formas de trabalhar com imagem em movimento, desde vídeo ao vivo a instalações, performances e trabalhos ligados ao som.
E há um objetivo final: mostrar aquilo que foi criado.
Os resultados chegam ao público nos dias 4 e 5 de dezembro, durante o OCUPA #11, dedicado à música eletrónica e à arte digital.
Ou seja, não é apenas um workshop. É um percurso que começa numa experiência e pode acabar numa obra apresentada em público.
Também há espaço para quem ensina
O Circuito olha ainda para as escolas e para quem está diariamente dentro das salas de aula.
Entre 28 e 30 de outubro, o gnration recebe “Pintar o dentro”, integrado nos WE! Workshops de Experimentação, dirigido à comunidade escolar.
Já no dia 31 de outubro, Guilherme Martins orienta uma formação dedicada à programação criativa através do p5.js. A ferramenta permite criar desenhos, animações e experiências interativas através de código, aproximando programação das artes visuais, matemática e ciências.
Em novembro, o programa continua a explorar a relação entre educação e criatividade.
A 21 de novembro, “Desaprender o olhar — Imagem, representação e pensamento crítico na educação” parte das imagens que fazem parte do nosso dia a dia para questionar aquilo que vemos, como vemos e como essas imagens influenciam a forma como pensamos.
E a 28 de novembro, a música e a palavra encontram-se na masterclass “O poema é a partitura”, conduzida pela artista francesa Félicia Atkinson.
Quando o digital também é matéria-prima
Dezembro fecha o programa com mais duas propostas particularmente ligadas ao universo digital.
A 12 de dezembro, Rosemary Lee conduz a masterclass “Matéria escura digital”, dedicada aos lados menos visíveis das tecnologias visuais, dos sistemas generativos e da inteligência artificial.
No mesmo dia, o Theatro Circo recebe uma sessão do Cinema PLAY, com “Histórias sobre a bondade com alguma maluqueira”.
E nos dias 17 e 18 de dezembro, “Daqui ali, movimento — Entre o real e a animação” convida participantes a partir dos 12 anos a misturar mapas, fotografias, memórias e técnicas de animação.
Um programa para experimentar sem saber exatamente ao que se vai
Talvez seja essa a parte mais interessante do Circuito: não é preciso chegar com uma habilidade específica.
Pode ser a primeira vez que alguém pega numa ferramenta de programação. A primeira experiência com vídeo. A primeira oficina de arte de uma criança. Ou simplesmente uma tarde em que se decide experimentar qualquer coisa diferente.
Há propostas gratuitas e outras pagas, com preços a partir dos 3€, e atividades pensadas para diferentes idades e níveis de experiência.
Para os mais novos existe ainda o Passaporte do Circuito. Cada atividade frequentada vale um autocolante em forma de píxel e, depois de reunir cinco, há direito a um prémio surpresa.
No fundo, o Circuito transforma o gnration e o Theatro Circo em espaços onde, durante quatro meses, há sempre qualquer coisa para experimentar.
E, em vez de ficarmos apenas a assistir, podemos fazer parte dela.




